A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pretende conceder até outubro uma certificação inédita à Embraer. A autorização permitirá que aeronaves da empresa realizem manobras de decolagem completamente automáticas.
A informação foi divulgada à Reuters pelo presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, nesta terça-feira (18). Segundo ele, o processo está na fase final, e a expectativa é que uma aeronave seja certificada entre setembro e outubro.
“Estamos na fase final de certificação e pretendemos, em setembro ou outubro, já certificar uma aeronave da Embraer. Será um novo Embraer E2, que terá o primeiro sistema de decolagem automática do mundo”, afirmou Faierstein.
O sistema, chamado E2TS (Embraer Enhanced Take-Off System), foi desenvolvido para equipar a família E2 de aeronaves comerciais da fabricante. Com a certificação, o Brasil poderá se tornar o primeiro país a autorizar oficialmente uma tecnologia desse tipo.
A Anac também mantém conversas com autoridades certificadoras dos Estados Unidos e da Europa para que o sistema seja reconhecido e autorizado nesses mercados.
“É uma tecnologia que nasceu aqui e pode ir para o mundo. A Embraer foi a primeira a desenvolver essa tecnologia, será a primeira a ter a certificação e a Anac será a primeira autoridade certificadora do mundo”, disse Faierstein.
De acordo com o presidente da agência, a certificação brasileira tem potencial para ser replicada internacionalmente. Brasil, Estados Unidos, Canadá e França integram o CMT (Certification Management Team), grupo internacional voltado à certificação aeronáutica.
Como funciona
O E2TS foi projetado para automatizar a decolagem dos aviões da família E2. O sistema otimiza parâmetros como o ângulo e o perfil de subida de acordo com as condições de voo e meteorológicas.
A tecnologia busca definir os melhores parâmetros para a operação da aeronave durante uma das etapas que mais consomem combustível. Além de automatizar a manobra, o sistema pode contribuir para a redução dos custos operacionais das companhias aéreas.
A proposta representa uma evolução na automação de aeronaves comerciais ao permitir que uma etapa tradicionalmente dependente da atuação dos pilotos seja executada automaticamente pelo sistema.
A certificação ainda precisa ser concluída antes que a tecnologia possa ser utilizada comercialmente. A previsão atual da Anac é finalizar o processo entre setembro e outubro deste ano.











