O Arco Norte se consolidou em 2025 como o principal corredor logístico do agronegócio brasileiro, superando o porto de Paranaguá em movimentação de grãos e fertilizantes. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que os portos da região movimentaram 13,36 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto Paranaguá registrou 10,89 milhões de toneladas. Essa mudança representa um marco importante para a logística agrícola do Brasil.
A transformação no fluxo logístico do agronegócio é resultado de investimentos em infraestrutura e da proximidade das rotas portuárias com as principais áreas produtoras, especialmente no Centro-Oeste e Matopiba. O presidente da Conab, Sílvio Porto, enfatizou que essa mudança de eixo, do Sul-Sudeste para o Norte, é fundamental para o aumento da competitividade do setor.
Investimentos e eficiência operacional
Os investimentos públicos realizados nos últimos anos foram cruciais para reduzir as distâncias entre as áreas de produção e os portos exportadores. Além disso, o modelo de “frete de retorno” tem contribuído para a eficiência logística, permitindo que caminhões transportem grãos até os portos e retornem carregados com fertilizantes. Essa estratégia não só reduz custos, mas também melhora a operação logística como um todo.
Entre 2021 e 2025, as importações de fertilizantes pelos portos do Arco Norte cresceram 62,7%, enquanto Paranaguá teve uma leve retração. O porto de Itaqui, no Maranhão, destacou-se ao responder por 34% do total de fertilizantes importados, seguido por Santarém e Salvador. Essa dinâmica é essencial para garantir a produção agrícola brasileira, que depende fortemente de insumos como potássio e ureia.
Exportações em alta
O Arco Norte também se firmou como a principal rota de exportação de grãos do Brasil. As exportações de milho e soja pelos portos da região aumentaram de 36,56 milhões de toneladas em 2021 para 58,06 milhões em 2025, um crescimento de 59%. O porto de Itaqui, por exemplo, ampliou seus embarques de 11,55 milhões para 20,14 milhões de toneladas no mesmo período.
Com a liderança do Arco Norte, o Brasil exportou 108,18 milhões de toneladas de soja em 2025, com 36,2% desse total escoado pelos portos da região. Isso representa uma mudança significativa no cenário logístico, beneficiando diretamente os produtores rurais que agora têm acesso facilitado aos mercados internacionais.
Entretanto, essa expansão logística traz desafios, especialmente em relação ao meio ambiente e à ocupação territorial. A Conab alerta que o avanço da infraestrutura pode acelerar a expansão agropecuária em áreas sensíveis, aumentando a pressão sobre a Amazônia. Assim, é fundamental que o desenvolvimento do Arco Norte seja acompanhado de um planejamento estratégico que priorize a sustentabilidade.











