A arroba do boi gordo registrou recuo em diversas regiões do Brasil, refletindo a pressão da oferta e um consumo interno mais cauteloso. A situação se agravou com o aumento da disponibilidade de animais terminados, o que levou a uma queda nos preços em importantes praças pecuárias, como Goiás e Minas Gerais.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a tendência de baixa que antes não afetava estados como Mato Grosso agora se faz presente também na região Centro-Oeste. O analista Fernando Iglesias aponta que, embora alguns mercados tenham mostrado sinais de acomodação, Minas Gerais continua a registrar negociações abaixo da média.
Mercado atento às exportações
Além da oferta interna, o setor pecuário observa atentamente as movimentações internacionais. A suspensão temporária das tarifas de importação de carnes pelos Estados Unidos e a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países habilitados para exportação de proteínas animais são fatores que impactam diretamente o mercado.
A China, por sua vez, impôs salvaguardas que limitam a cota de importação de carne bovina brasileira a 1,106 milhão de toneladas em 2026, volume que pode ser alcançado rapidamente. Essa situação gera incertezas, especialmente para os produtores que dependem do mercado externo para sustentar seus negócios.
Os preços da arroba do boi gordo variaram nas principais praças do país. Em São Paulo, o valor se manteve em R$ 350,00, enquanto Goiás viu uma queda para R$ 330,00, representando uma retração de 2,94%. Minas Gerais também registrou queda, com a arroba a R$ 335,00, uma baixa de 1,47% em relação à semana anterior.
No atacado, a carne bovina enfrenta desafios, com preços em baixa devido à desaceleração do consumo. A concorrência com proteínas substitutas, como a carne de frango, está se intensificando, limitando o espaço para reajustes no curto prazo. O quarto dianteiro bovino foi negociado a R$ 21,50 por quilo, enquanto o traseiro caiu para R$ 27,50.
Apesar das dificuldades no mercado interno, as exportações brasileiras de carne bovina continuam fortes. Nos primeiros cinco dias úteis de maio, o Brasil exportou 85,883 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 545,327 milhões. Esse desempenho expressivo em relação ao ano anterior destaca a importância do mercado externo para a pecuária brasileira, mesmo em tempos de pressão no consumo doméstico.











