O músico Benito di Paula morreu em 18 de outubro de 2026, em São Paulo, deixando uma trajetória marcada por sambas românticos, sucesso comercial e reconhecimento internacional. Nascido em Nova Friburgo (RJ), em 1941, ele foi lembrado em uma homenagem que destacou a forma como colocou as mulheres no centro de suas canções.
O produtor multimídia Ruy Godinho, autor da série de livros Então foi assim?, participou da homenagem e comentou a importância da obra de Benito. Segundo Godinho, a série reúne quatro volumes sequenciais e um volume dedicado exclusivamente à música de compositores amapaenses. As publicações estão disponíveis no site entaofoiassim.com.br.
Para o produtor, Benito deixou um legado de sambas memoráveis e se tornou único no cenário musical brasileiro ao colocar o piano como protagonista de sua arte. Diferentemente da formação tradicional do samba, baseada em instrumentos como o violão de sete cordas, o cavaquinho e a percussão, o músico levou o piano para o centro dos arranjos, explorando batidas percussivas e sincopadas.
Godinho também atribuiu a Benito a criação de um estilo que a crítica e a imprensa chamaram de “samba-jóia”, fundamentado no samba romântico. A interpretação vocal apaixonada e expressiva do artista, de acordo com o produtor, combinava elementos líricos da boemia e das casas noturnas com o ritmo do morro.
Campeão de vendas de discos, Benito di Paula também realizou shows na Europa, na América Latina e no Japão. Entre os principais sucessos de sua carreira estão Retalhos de Cetim, Charles Brown, Mulher Brasileira e Ah! Como eu amei.
Ruy Godinho destacou ainda que Benito foi precursor do samba romântico e influenciou o pagode romântico, que ganhou força nos anos 1990. Na avaliação dele, grupos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Katinguelê adotaram a temática amorosa combinada com arranjos harmônicos mais suaves a partir dessa influência.
Outro aspecto ressaltado pelo produtor foi a maneira como Benito representava as mulheres em suas músicas. Segundo Godinho, enquanto muitas letras de samba as retratavam de forma negativa, como vilãs, ingratas ou responsáveis pelo sofrimento dos homens, Benito colocou a mulher brasileira em primeiro lugar e rompeu com essa tradição.











