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A alta umidade, após um período de chuvas, e o tempo quente formam o cenário ideal para o surgimento dos bichinhos de luz, também conhecidos como aleluias ou siriris, dentro de casa. Normalmente, isso acontece pouco antes da primavera ou mesmo no verão, quando o inseto — um tipo de cupim alado da ordem Isoptera — entra na fase de reprodução.
Diferente dos pernilongos que surgem em pequenos grupos ou mesmo sozinhos, os bichinhos de luz invadem a casa em bandos e, como o próprio nome já indica, buscam lâmpadas ou outras fontes de luz artificial. Ali, ficam rodando até “caírem”.
Para evitar o inconveniente, existem algumas boas estratégias para impedir a entrada dos cupins alados dentro de casa, sem envolver o uso de inseticidas. De forma simples, apague a luz e deixe o bando de insetos migrar até outro foco, de preferência, longe da sua residência.
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Quando pensamos em cupins, a primeira imagem que se forma na cabeça é a daqueles cupinzeiros grandes, com cor de terra batida, espalhados pelos campos como esculturas. A questão é que, no Brasil, existem cerca de 300 espécies desse inseto, incluindo alguns que vivem nas cidades e se proliferam em madeiras podres.
Dentro da diversidade de uma única colônia de cupins, estão os operários, os soldados e alguns alados (ou siriris). Estes últimos são aqueles que vão gerar novas colônias, sendo os futuros rainhas e reis — sim, a construção “social” é diferente de outros insetos eussociais, como as abelhas e as formigas, famosas pelos matriarcados.
Em períodos de chuvas e clima quente, “a época de reprodução do cupins é um verdadeiro espetáculo da natureza, os alados, machos e fêmeas, deixam a colônia em revoadas (verdadeiros enxames) à procura de parceiros. É bem comum encontrá-los rodeando postes de iluminação (ou qualquer fonte de luz)”, explica artigo do Wikitermes, um projeto de divulgação científica sobre o universo dos cupins, com a coordenação de Tiago Fernandes Carrijo, da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Agora, veja os insetos saindo do cupinzeiro:
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No processo de encontro do parceiro ideal, as asas caem, os cupins encontram seus companheiros e, após se estabelecerem em um novo local, ocorre a primeira cúpula real, dando início a uma nova colônia. No futuro, quando a comunidade estiver madura, novos alados irão nascer, expandindo a população de cupins com a formação de outras colônias.
Por muito tempo, o consenso era de que os cupins alados ou outros insetos voadores “adorassem” fontes de luz, como uma lâmpada dentro de casa. Mais recentemente, pesquisadores da Imperial College London, na Inglaterra, descobriram que a luminosidade é fundamental, mas porque funciona como um guia de direção.
Assim, quando os insetos encontram uma luz externa, ela, na verdade, interfere nos sistemas de controle usados para se orientarem durante o voo, deixando os “confusos” da rota que deveriam seguir. Por isso, há inúmeros casos deles rodeando lâmpadas, sem parar, como os cupins alados.
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A maior parte dos insetos voadores adota instintivamente um comportamento dorsal de resposta à luz. Com isso, ele mantém a parte de cima do seu corpo — ou seja, as costas — voltada para o lado de onde vem o brilho.
“Sob a luz natural do céu, inclinar o dorso em direção ao ponto visual mais brilhante [como a Lua] ajuda a manter a altitude e o controle de voo adequados. Perto de fontes artificiais, no entanto, esta resposta à luz dorsal pode produzir um voo em direção contínua ao redor da luz e prender o inseto [nessa rota sem sentido]”, afirmam os pesquisadores no artigo publicado na plataforma bioRxiv.
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Após entender o porquê dos bichinhos de luz surgirem em dias quentes e aprender sobre o comportamento geral de voo dos insetos, é possível pensar em alguns estratégias para conter a entrada dos cupins alados dentro de casa, que vão de coisas básicas até procedimentos mais “complexos”:
A seguir, veja como os insetos mudam de direção com o apagar das luzes da sala:
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Apesar do incômodo que pode ser causado pelas aleluias, siriris e outros bichinhos voadores que buscam luz, é importante dizer que eles não transmitem doenças, picam e nem causam irritações aos humanos. O maior problema está onde eles se instalam e formam suas colônias, já que podem se proliferar em móveis de madeira, telhados ou mesmo em alguns eletrodomésticos, e assim causar estragos em casa.
Fonte: Wikitermes e bioRxiv