A chegada do outono acende o alerta nas principais regiões produtoras de café do Brasil para o avanço do bicho-mineiro, uma das pragas mais destrutivas da cafeicultura nacional. Presente em praticamente todas as áreas produtoras do país, o inseto pode provocar perdas entre 30% e 80% da produção, especialmente em regiões como Minas Gerais, Bahia, Goiás e parte de São Paulo.
As condições climáticas típicas do outono favorecem surtos populacionais da praga. Segundo Paulo Henrique Sá Fortes, a combinação de calor e baixa umidade acelera a reprodução do inseto, que pode ter um ciclo de vida reduzido a apenas 14 dias em temperaturas elevadas.
Impactos na produtividade e qualidade do café
O bicho-mineiro não afeta apenas a quantidade de café produzido, mas também compromete a qualidade dos grãos. A larva do inseto se alimenta das folhas do cafeeiro, formando galerias que resultam em manchas e necroses severas, prejudicando a capacidade fotossintética da planta.
Em casos de infestação elevada, as lesões podem atingir mais de 80% da folha, impactando diretamente a rentabilidade da atividade cafeeira. O adulto da praga, uma pequena mariposa branco-prateada, pode depositar até 50 ovos por ciclo, aumentando a preocupação entre os produtores.
Biossoluções ganham espaço no controle da praga
Com o aumento da resistência do bicho-mineiro a produtos químicos tradicionais, o interesse por alternativas biológicas tem crescido. O PREV-AM, uma biossolução registrada no Ministério da Agricultura, é um exemplo de como o manejo integrado de pragas pode ser eficaz.
Desenvolvido a partir do óleo essencial da casca de laranja, o produto atua diretamente sobre o inseto adulto, degradando a camada cerosa das asas da mariposa. Isso impede que o inseto voe, se alimente ou se reproduza, reduzindo drasticamente a infestação.
Tecnologia e sustentabilidade no agronegócio
A adoção de soluções biológicas reflete uma tendência crescente na agricultura brasileira: aumentar a produtividade e a eficiência sem ampliar os impactos ambientais. Especialistas apontam que o uso de tecnologias sustentáveis no manejo fitossanitário tende a se expandir, especialmente com as exigências de mercado por produção rastreável e menor uso de defensivos convencionais.
Com o foco em sustentabilidade e produtividade, empresas como a Rovensa Next Brasil buscam ampliar a adoção de ferramentas que combinem controle eficiente de pragas com maior resiliência das lavouras de café. Essa abordagem não apenas beneficia os produtores, mas também atende à demanda crescente por práticas agrícolas responsáveis e sustentáveis.











