O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou que a crise no país “está chegando ao limite”, em meio a intensas manifestações que pedem sua renúncia. Os protestos, que já duram quase um mês, são impulsionados por uma grave crise econômica, a pior em quatro décadas, e têm gerado bloqueios de estradas por camponeses, operários e transportadores.
Durante um ato em La Paz, Paz convocou ao diálogo, ressaltando que “o tempo está se esgotando”. Ele também anunciou a instalação de um fórum para discutir políticas sociais e econômicas, enquanto o Congresso eliminou uma norma que limitava sua capacidade de decretar estados de exceção, permitindo o uso das forças armadas para conter os protestos.
Impacto das Manifestações
As manifestações em La Paz e na cidade vizinha de El Alto têm causado escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis. A situação se agrava, com relatos de aumento nos preços de medicamentos e dificuldades de acesso a tratamentos médicos, especialmente para crianças com condições de saúde delicadas.
Os protestos têm atraído a participação de milhares de camponesas indígenas, que se uniram a motoristas em greve, paralisando parcialmente o transporte público. A insatisfação popular é palpável, com muitos manifestantes afirmando que estão dispostos a sacrificar suas vidas pela causa.
O governo de Paz estima que os bloqueios já causaram perdas de cerca de 600 milhões de dólares à economia boliviana, que já enfrenta uma inflação em torno de 15%. O presidente comparou a situação atual à crise da covid-19, enfatizando a gravidade da escassez e da alta de preços.
Na tentativa de apaziguar os ânimos, Paz anunciou uma redução simbólica em seu salário, mas a medida não teve impacto significativo entre os manifestantes. A oposição, liderada pelo ex-presidente Evo Morales, pede novas eleições em um prazo de 90 dias, intensificando a pressão sobre o governo.
A crise na Bolívia não é apenas um problema local, mas pode ter repercussões na região, especialmente para o Brasil, que compartilha uma extensa fronteira com o país. A instabilidade política e econômica pode afetar o comércio e as relações bilaterais, exigindo atenção das autoridades brasileiras.











