
Um fundo imobiliário do Santander quer vender mais de R$ 400 milhões em imóveis para um veículo do BTG Pactual, desfazendo-se de todo o seu portfólio por uma cifra ao menos um terço menor que seu valor patrimonial. A dúvida é se os investidores vão topar esse desconto generoso.
Após um processo competitivo, o Santander Renda de Aluguéis (SARE11 na Bolsa) fechou contrato com o banco de André Esteves. A transação engloba os três ativos que restaram na carteira do fundo. São eles: uma fatia de 75% do WT Morumbi, um complexo de lajes corporativas localizado na Marginal Pinheiros; todo o edifício empresarial Work Bela Cintra; e 100% do Galpão Santo André, um condomínio logístico. O negócio ainda abrange cotas de fundos imobiliários investidos pelo fundo e seu caixa.
O fundo do Santander vai submeter aos seus investidores duas propostas sobre como receber o dinheiro: ou R$ 476 milhões pagos por meio de cotas do fundo imobiliário BTG Pactual Logística (BTLG11), avaliadas a valor patrimonial; ou R$ 408,7 milhões pagos à vista, em dinheiro.
O SARE11 comprou esses três ativos entre 2019 e 2021 por cerca de R$ 575 milhões, em transações separadas. Seu valor patrimonial está estimado em R$ 725 milhões.
O fundo tem mais de 30 mil cotistas na Bolsa, e a venda é uma forma de reagir a um cenário que faz com que o veículo seja negociado com 40% de desconto em relação ao seu valor patrimonial. Mas a reação imediata de alguns investidores não foi boa:
“O gestor deveria ter vergonha de trazer essa proposta”, escreveu um usuário da plataforma Clube FII, seguido por outro: “Proposta muito baixa. Talvez seja melhor seguir em um processo competitivo, imóvel a imóvel, ou até vender apenas parte do WT, e se desfazer só do que tiver proposta minimamente razoável.”