
A BYD prepara o que pode ser o seu lançamento mais importante desde que desembarcou no Brasil: o primeiro híbrido flex da marca. E ele não será qualquer carro. O escolhido é o Song Pro, justamente um dos pilares da operação local da chinesa.
Durante viagem a Chongqing, na China, tive a oportunidade de ver de perto o Song Pro reestilizado em uma concessionária da marca. É esse o carro que antecipa o modelo brasileiro.
A marca ainda não vende nenhum modelo flexível no País. Em um mercado onde o etanol é protagonista, isso sempre foi uma lacuna aberta. O Song Pro híbrido flex virá para resolver esse ponto e, de quebra, talvez redefinir o jogo entre os eletrificados.
Foto de: Motor1 Brasil
Visualmente, o novo Song Pro muda pouco. A dianteira recebeu um novo para-choque com apêndices laterais que reforçam a sensação de largura e melhoram a aerodinâmica. A grade prateada segue o padrão recente da marca, com desenho que remete ao BYD Yuan Plus e o conhecido “bigode do dragão”.
De perfil e na traseira, as alterações são mínimas. É o típico facelift de “meia vida”. Já por dentro, as mudanças são maiores. O interior foi redesenhado com foco em ergonomia e tecnologia. O console central está mais limpo, com menos botões físicos e melhor organizado. A nova bandeja dupla para smartphones resolve uma demanda prática de uso.
A alavanca de câmbio sai do console e vai para a coluna de direção, tal como no Dolphin chinês, já reestilizado. Outro ponto importante: o fim da tela giratória. No lugar, entra um display fixo, mais rápido e com interface mais lógica. A navegação evoluiu, com barra fixa de apps e integração clara com os sistemas ADAS, algo que, até então, não era exatamente um ponto forte da BYD.
Foto de: Motor1 Brasil
Mas é na mecânica que está o verdadeiro impacto. A BYD já confirmou que o Song Pro brasileiro terá um sistema híbrido plug-in adaptado para rodar com gasolina e etanol em qualquer proporção — algo inédito entre os PHEVs vendidos hoje no País.
O modelo, inclusive, já deu as caras por aqui: integrou a frota oficial da COP30 no fim de 2025. Na prática, foi um “teaser” do que vem pela frente. A base do sistema será mantida, ou seja, motor 1.5 aspirado, hoje com 98 cv e 12,4 kgfm (com gasolina), em versão tropicalizada para beber etanol. No lado elétrico, nada deve muda. As configurações atuais são assim:
Song Pro GL: 223 cv e 40,8 kgfm combinados, bateria de 12,9 kWh;
Song Pro GS: 235 cv e 43 kgfm, bateria de 18,3 kWh.
O Song Pro PHEV flex também será um dos primeiros modelos produzidos na fábrica da BYD em Camaçari (BA) com maior localização. E isso explica muita coisa. Por isso, mais que um simples lançamento, o SUV é a resposta da BYD para a meta de crescer de verdade no Brasil.
Sem flex, a marca fica limitada. Com híbridos flex, passa a jogar no campo completo. A chegada do modelo está prevista para até o meio de 2026. E, pelo que já deu para ver de perto, não se trata apenas de mais um SUV eletrificado, mas da peça que faltava à marca chinesa no Brasil.