O mercado de café deve enfrentar um período de acomodação nos preços no segundo semestre de 2026, conforme aponta o relatório Agro Mensal do Itaú BBA. Essa mudança é impulsionada pelo avanço da colheita brasileira e pela expectativa de um aumento significativo na oferta do produto.
O clima seco nas principais regiões produtoras tem favorecido a colheita, especialmente do café conilon. As áreas de café arábica também estão acelerando os trabalhos de campo, o que deve impactar diretamente a produção e os preços no mercado interno e externo.
Os dados mostram que, até o início de maio, o contrato do café arábica com vencimento em julho teve uma queda de 5,6%, sendo negociado a US$ 2,75 por libra-peso. No Brasil, essa retração foi ainda mais acentuada, com o preço do arábica caindo para cerca de R$ 1.670 por saca, uma diminuição de 11% no período analisado.
Produção brasileira deve crescer 15%
A safra brasileira de café para 2026/27 deve apresentar uma recuperação significativa, com um crescimento projetado de 15% na produção total. A oferta de café arábica deve avançar cerca de 25%, alcançando 47,5 milhões de sacas, o que pode equilibrar o mercado que atualmente enfrenta uma oferta apertada.
As exportações brasileiras também devem aumentar, com a expectativa de atingir cerca de 50 milhões de sacas entre julho de 2026 e junho de 2027. Essa mudança pode ser benéfica tanto para os produtores, que terão mais oportunidades de venda, quanto para a economia regional, que se beneficia do aumento nas exportações.
Entretanto, o clima continua sendo um fator de risco. O Itaú BBA destaca que a possibilidade de geadas nas regiões produtoras de café arábica pode impactar a próxima safra. Além disso, o fenômeno El Niño pode trazer um inverno mais úmido, complicando a colheita e a qualidade do café.
Apesar das quedas recentes nos preços, o mercado permanece atento ao comportamento dos fundos de investimento, que aumentaram suas posições compradas no café. Esse movimento pode influenciar a volatilidade dos preços internacionais e impactar diretamente o produtor rural e o consumidor final.











