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Café: colheita avança com chuvas e tensão geopolítica no campo
Imagem: Reprodução
Agro

Café: colheita avança com chuvas e tensão geopolítica no campo

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O mercado do café enfrenta oscilações significativas, impulsionadas pelo avanço da colheita no Brasil, as chuvas nas lavouras e as tensões geopolíticas. Esses fatores estão gerando um clima de cautela entre os produtores, que monitoram atentamente os preços e a qualidade da safra. A combinação de instabilidade climática e volatilidade nas bolsas internacionais tem impactado diretamente a cadeia produtiva do café.

Recentemente, as chuvas em regiões cafeeiras, como Paraná e São Paulo, têm gerado preocupações entre os agricultores. De acordo com levantamentos do Cepea, as precipitações estão afetando a qualidade dos grãos, especialmente em áreas onde os grãos já estão no terreiro ou caíram ao solo. No norte do Paraná, alguns produtores relatam perdas pontuais na qualidade da safra atual, enquanto em Marília (SP), o excesso de umidade tem dificultado a colheita.

Impacto das Condições Climáticas

No Sul de Minas Gerais, maior polo produtor de café arábica do país, o cenário é mais otimista. As previsões indicam chuvas menos intensas, sem danos significativos até o momento. Essa diferença nas condições climáticas pode influenciar a produtividade e a qualidade da safra, refletindo diretamente nos preços do café no mercado.

Enquanto isso, o mercado internacional observa com atenção o aumento da oferta brasileira. A colheita do conilon e o avanço gradual do arábica estão pressionando os preços nas bolsas de Nova York e Londres. O contrato de julho/2026 do café arábica, por exemplo, apresentou uma queda de 1,18%, cotado a 266,95 centavos de dólar por libra-peso, sinalizando uma realização de lucros após uma recuperação anterior.

No mercado físico brasileiro, as negociações permanecem lentas. Muitos produtores estão cautelosos, aguardando melhores oportunidades de venda em meio à volatilidade cambial. Apesar disso, alguns preços registraram alta, com o café arábica bebida boa sendo negociado entre R$ 1.700 e R$ 1.705 por saca no Sul de Minas Gerais.

Outro fator que tem sustentado a firmeza do mercado é a redução dos estoques certificados de café nos armazéns da ICE, que caíram para 458.735 sacas de 60 quilos. Essa diminuição reforça a percepção de uma oferta ajustada no curto prazo, o que pode influenciar os preços nas próximas semanas.

Além dos fatores internos, as tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, também afetam o mercado cafeeiro. A escalada do conflito no Irã e as ameaças relacionadas ao Estreito de Ormuz elevam a volatilidade no petróleo, impactando os custos logísticos globais. Isso, por sua vez, pode afetar o comércio internacional de commodities, incluindo o café.

Com um cenário de grande safra brasileira em 2026/27, especialmente de arábica, o mercado se encontra dividido entre fatores que podem elevar os preços e aqueles que indicam uma oferta crescente. A expectativa de boa produtividade, aliada à cautela dos produtores, deve continuar a moldar o comportamento do mercado cafeeiro nos próximos meses.

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