A organização Time To Act lançou a campanha Saúde Mental Climática, que visa promover discussões sobre os impactos emocionais e psicológicos da crise climática. A mobilização também solicita a criação de uma política nacional voltada para essa questão, proposta por meio do Projeto de Lei (PL) 6151/25, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.
O PL foi apresentado pelos deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e busca oferecer suporte às comunidades afetadas por eventos climáticos extremos. A proposta inclui a interligação de assistência social, saúde, educação e defesa civil, atendendo a diversas faixas etárias e grupos populacionais, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência.
Além de estabelecer um Sistema Nacional de Saúde Mental Climática, o projeto prevê a criação de centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades. Os parlamentares destacam a importância da divulgação científica e a necessidade de ações preventivas na política nacional.
Impactos da Crise Climática
Luciana Brafman, fundadora da Time To Act, enfatiza que a devastação causada por desastres naturais, como o terremoto nas Filipinas e as enchentes no Rio Grande do Sul, motivou sua luta por visibilidade para a saúde mental climática. Ela observa que muitos sobreviventes enfrentam dificuldades emocionais significativas, frequentemente sem o apoio necessário.
Segundo Brafman, as comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas são, em sua maioria, grupos minoritários, incluindo povos originários e moradores de periferias. Ela argumenta que é essencial abordar a saúde mental coletiva para evitar a reconstrução de áreas devastadas em meio a traumas não tratados.
Desafios e Propostas
O pedagogo Reinaldo Nascimento, que atuou em situações de emergência, relata que muitas crianças afetadas por desastres climáticos apresentam comportamentos que refletem traumas profundos. Ele destaca a importância de um acolhimento adequado para crianças e adolescentes em situações de estresse tóxico.
Além disso, a campanha também busca combater a desinformação sobre a crise climática, um problema crescente no Brasil. Levantamentos recentes indicam que uma parcela significativa da população ainda demonstra ceticismo em relação à gravidade da situação, o que pode dificultar a adoção de medidas eficazes.
A mobilização da Time To Act, portanto, não apenas busca a criação de políticas públicas, mas também a conscientização da sociedade sobre a importância de cuidar da saúde mental em tempos de crise climática. O sucesso dessa iniciativa pode ser crucial para a resiliência das comunidades afetadas e para a construção de um futuro mais sustentável e saudável.











