A cidade de Campina Grande, na Paraíba, é um verdadeiro ícone dos festejos de São João no Brasil, com uma rica história que já contabiliza mais de 400 grupos de quadrilhas juninas. Atualmente, cerca de 14 grupos mantêm viva essa tradição, que é um reflexo da cultura nordestina e da diversidade brasileira.
Recentemente, uma pesquisa intitulada “As Quadrilhas Juninas do Brasil”, realizada pela Quaest em parceria com o YouTube, trouxe à tona dados relevantes sobre o ecossistema das quadrilhas juninas, com um foco especial na realidade de Campina Grande. Este estudo inédito entrevistou quadrilheiros, dirigentes e demais envolvidos, proporcionando uma visão abrangente sobre a organização e a gestão desses grupos.
O papel das mulheres nas quadrilhas juninas
Um dos aspectos mais interessantes revelados pela pesquisa é o protagonismo feminino nas quadrilhas. Das 14 agremiações de Campina Grande, seis são lideradas por mulheres, que desempenham papéis fundamentais como fundadoras, coreógrafas e gestoras. Essa presença feminina é crucial para a estrutura financeira e artística do movimento, mostrando que as mulheres são essenciais para a manutenção e evolução das tradições juninas.
Além de serem grupos de dança, as quadrilhas também atuam como redes de acolhimento e inclusão, especialmente para a comunidade LGBTQIAPN+. A pesquisa destaca a importância dessas agremiações como espaços de convivência e afirmação de identidade, promovendo avanços sociais significativos, como a inclusão de damas trans e a figura da rainha da diversidade.
Os membros das quadrilhas vivenciam a cultura junina ao longo do ano, com ensaios e preparativos que começam logo após o término da temporada. Esse ciclo contínuo envolve de 100 a 300 pessoas por grupo, transformando a tradição em uma verdadeira indústria criativa, que gera empregos e movimenta a economia local.
No entanto, a pesquisa também aponta desafios significativos enfrentados por essas agremiações. A falta de recursos financeiros e a dependência de rifas comunitárias para a confecção de figurinos são algumas das dificuldades enfrentadas. Muitas lideranças terminam a temporada com dívidas, evidenciando a necessidade de um apoio mais robusto para garantir a continuidade dessa rica tradição cultural.
Com a relevância cultural das quadrilhas juninas em Campina Grande, é fundamental que a sociedade e os órgãos governamentais reconheçam e valorizem esse patrimônio. O fortalecimento das quadrilhas não apenas preserva a cultura, mas também promove inclusão, diversidade e desenvolvimento social na região.











