A produção de Queijo Minas Artesanal na Fazenda Saudade, localizada em Ibertioga, Minas Gerais, exemplifica a união entre tradição e inovação no fortalecimento da agricultura familiar. A propriedade, que já produzia queijo artesanal há cerca de um século, voltou a ganhar destaque com o retorno de uma nova geração da família ao campo.
Em 2018, a jornalista Tereza Rodrigues e o videomaker Matheus Brandão deixaram Brasília para retomar as raízes familiares e dar continuidade à produção iniciada por João Miranda, avô de Tereza. Ele foi responsável por transformar leite cru, pingo, coalho e sal em um dos símbolos da gastronomia mineira.
Mudança de vida e sucessão familiar impulsionam retorno ao campo
A decisão de retornar à zona rural foi motivada por uma mudança significativa na vida do casal. “Em 2018, quando eu fiquei grávida, a gente resolveu vir para cá, voltar às raízes e começar a fazer Queijo Minas Artesanal também”, relembra Tereza Rodrigues.
Esse retorno marcou o início de um processo de sucessão familiar e reestruturação da atividade, focando na valorização da tradição, sem abrir mão da modernização produtiva.
Produção é modernizada com estrutura adequada e mantém identidade artesanal
Atualmente, a Fazenda Saudade conta com cerca de 230 vacas em lactação e uma queijaria moderna, construída para atender às exigências sanitárias e melhorar as condições de produção. Mesmo com a modernização, o processo mantém técnicas tradicionais do Queijo Minas Artesanal.
Os queijos são maturados por mais de 22 dias em tábuas de cedro, o que contribui para uma textura macia e o desenvolvimento de aromas e sabores sutis, com notas que remetem ao amendoim. O resultado preserva a identidade regional do produto, atendendo padrões rigorosos de qualidade e segurança alimentar.
Assistência técnica da Emater-MG foi decisiva na evolução da qualidade
O avanço na qualidade dos queijos teve apoio fundamental da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). A entidade orientou a implantação de Boas Práticas de Ordenha e Fabricação, fortalecendo a segurança alimentar e padronizando processos.
Além disso, a Emater-MG também apoiou a legalização da agroindústria e a participação em feiras e concursos de qualidade. Segundo a extensionista Mayara Jarochinski, essa atuação foi determinante para o desenvolvimento da queijaria.
Venda online aproxima produtor do consumidor final
Para ampliar o acesso ao mercado, a Fazenda Saudade passou a integrar a plataforma digital ÉdoCampo, uma iniciativa da Emater-MG voltada à comercialização de produtos da agricultura familiar. Essa ferramenta conecta diretamente produtores e consumidores, reduzindo intermediários.
Matheus Brandão destaca que a plataforma representa um avanço importante na comercialização, ajudando a superar desafios de acesso ao consumidor final. “A plataforma veio para diminuir esse espaço entre o produtor e o consumidor”, afirma.
A trajetória da Fazenda Saudade evidencia como a sucessão familiar, o apoio técnico e a inovação digital são essenciais para a manutenção e expansão da produção artesanal. O caso reforça a importância da modernização do campo aliada à preservação das tradições que compõem a identidade do Queijo Minas Artesanal.











