Centrais sindicais da Espanha convocam greve geral em meio à crise habitacional
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Centrais sindicais da Espanha convocam greve geral em meio à crise habitacional

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As duas principais centrais sindicais da Espanha anunciaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro, em protesto contra a crise habitacional. A paralisação ocorrerá às vésperas do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas, convocadas pelo presidente Pedro Sánchez para 29 de novembro.

A convocação foi anunciada na segunda-feira (5), dois dias depois de o Parlamento espanhol rejeitar decretos com medidas para a habitação. A decisão também ocorre após uma sequência de protestos diários contra ações de despejo.

Será a primeira greve geral na Espanha em 14 anos. O movimento atende a um apelo de associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à habitação e têm mobilizado milhares de pessoas nas ruas desde 23 de setembro.

“Vamos nos juntar no dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral”, afirmou o secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Pepe Álvarez. Segundo ele, a data foi acertada com a outra grande central sindical do país, a CCOO (Comisiones Obreras).

Álvarez disse que a greve responde ao chamado das associações de inquilinos e reivindica “salários dignos para uma moradia digna”. A última greve geral convocada pela UGT e pela CCOO ocorreu em 2012.

As associações empresariais criticaram o anúncio e questionaram a legalidade da paralisação, sob o argumento de que a mobilização não trata de uma questão trabalhista. Também colocaram em dúvida o momento da convocação, feita após o governo anunciar eleições.

Para Antonio Garamendi, presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, a greve tem um “claro componente político e eleitoral” e parece mirar mais a oposição do que o governo de Pedro Sánchez.

Os principais partidos de oposição, Partido Popular (PP), de direita, e Vox, de extrema-direita, também criticaram a mobilização. Eles destacaram o momento da convocação e o fato de ser a primeira greve geral anunciada desde que Sánchez chegou ao poder, em 2018.

“É uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez”, afirmou Borja Sémper, porta-voz do PP. O partido disse que os sindicatos só chegaram a um acordo após oito anos de governos liderados por Sánchez, período em que os preços dos imóveis e dos aluguéis dispararam.

Ao comentar a convocação, Sánchez, que também lidera o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), afirmou que a greve “afeta muitos trabalhadores e trabalhadoras e suas respectivas famílias”. Por isso, segundo o primeiro-ministro, “a única coisa que o Governo pode fazer é respeitar esse direito constitucional”.

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