A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pode ter consequências negativas para o combate ao crime no Brasil. A afirmação é do secretário nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Paulo Eduardo Modesto, que se manifestou sobre o tema em Brasília.
Segundo Modesto, essa categorização, anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em maio, pode resultar em punições menos severas para crimes como narcotráfico e extorsão. Ele destaca que a legislação brasileira, especialmente a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, prevê respostas penais mais rigorosas para organizações criminosas.
Consequências da Classificação
O secretário argumenta que rotular PCC e CV como grupos terroristas pode, na verdade, beneficiar essas facções. “É dar um upgrade favorável em termos de resposta penal”, afirmou Modesto, ressaltando que essa mudança não é desejável.
Ele explica que as facções se tornaram estruturas econômicas complexas, atuando em diversas áreas, como locação de imóveis e prestação de serviços públicos. “Hoje, a criminalidade organizada no Brasil não é mais o bandido de esquina”, completou.
Visão Acadêmica
A socióloga Carolina Christoph Grillo, especialista em crime organizado, compartilha da mesma opinião. Para ela, a classificação do Departamento de Estado dos EUA é equivocada e pode prejudicar o combate ao crime organizado no Brasil.
Grillo destaca que PCC e CV não têm objetivos políticos, mas sim uma estratégia de monopólio sobre mercados. “Essas organizações não impactam os Estados Unidos diretamente”, afirmou, lembrando que o Brasil é apenas uma rota de tráfico de drogas para a Europa.
Além disso, a acadêmica alerta que essa nova classificação pode comprometer acordos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, transferindo a responsabilidade de combate ao crime para agências de inteligência, que não têm a mesma transparência que as polícias.
As declarações de Modesto e Grillo ocorreram durante o lançamento do livro Criminalidade Organizada: diagnóstico e políticas públicas e legislativas, que propõe diversas políticas para enfrentar o crime organizado no país.











