A colheita do café 2026/27 avança lentamente no Brasil, com apenas 6% da safra colhida até 13 de maio. Esse ritmo é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e também está abaixo da média dos últimos cinco anos. A situação é especialmente preocupante para o café conilon, cuja comercialização permanece travada devido à cautela dos produtores diante da volatilidade do mercado.
O levantamento da Safras & Mercado destaca que a colheita do café canéfora, que inclui o conilon e o robusta, está ainda mais atrasada, com apenas 8% da produção colhida. Em comparação, no ano anterior, esse número era de 11%, e a média histórica é de 15%. Esse desempenho abaixo do esperado gera incertezas sobre a evolução da safra nas principais regiões produtoras.
Comercialização em ritmo lento
A comercialização da nova safra também está aquém do esperado. Até meados de maio, apenas 16% do potencial produtivo da safra de conilon/robusta havia sido negociado. Esse percentual é próximo ao do ano passado, mas bem abaixo da média dos últimos cinco anos, que gira em torno de 25%. Os produtores estão priorizando a venda do café já disponível, o que limita as negociações antecipadas.
No caso do café arábica, as vendas antecipadas alcançam cerca de 20% da produção esperada, inferior aos 22% do ano passado e à média de 29% dos últimos cinco anos. A diferença de preços entre o mercado físico e os contratos futuros tem dificultado as vendas, conforme explica o consultor Gil Barabach.
Além disso, a safra 2025/26, colhida no ano passado, também apresenta vendas mais lentas. Até 13 de maio, 86% da produção havia sido comercializada, enquanto no ano anterior esse número era de 96%. A instabilidade financeira e a volatilidade das bolsas internacionais têm contribuído para essa cautela no setor.
Para os produtores, essa situação representa um desafio, pois a lentidão na colheita e na comercialização pode impactar a rentabilidade e a gestão financeira das propriedades. Já para os consumidores, a expectativa é de que a oferta reduzida possa refletir em preços mais altos no mercado.
Com o clima e as condições de mercado em constante mudança, o setor agrícola deve se manter atento às tendências e buscar estratégias que garantam a sustentabilidade e a competitividade no mercado global. O acompanhamento das safras e a adaptação às novas realidades serão fundamentais para o sucesso dos produtores brasileiros nos próximos anos.











