O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmou nesta terça-feira (27) que não sabia que o agora ex-candidato havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos.
“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição, que é importante, porque temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação”, declarou Marinho após participar de uma reunião com parlamentares e líderes políticos do PL, em Brasília.
O senador disse ainda que recebeu uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h desta terça-feira. Segundo Marinho, o ex-candidato afirmou que iria “dar um tempo” e depois voltaria a conversar com os aliados.
O embarque para os Estados Unidos, realizado de forma escondida e com detalhes ainda desconhecidos, ocorreu menos de 48 horas depois de Flávio perder as eleições presidenciais. A informação foi noticiada pela agência Reuters e confirmada por um interlocutor do governo norte-americano.
Aliados de Flávio no Brasil também fizeram manifestações que apontam para a saída do país. O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) publicou: “Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!”. Apesar dos relatos, nenhuma autoridade brasileira ou norte-americana se manifestou oficialmente sobre o caso.
Flávio Bolsonaro é investigado em diferentes inquéritos da Polícia Federal por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. Em fevereiro de 2027, termina seu mandato de senador pelo Rio de Janeiro, e ele perderá o foro privilegiado.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal. Os documentos, porém, não foram entregues. A decisão está sob segredo de Justiça e foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais.
A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF por lavagem de dinheiro. Em razão do descumprimento, os passaportes do parlamentar foram cancelados diretamente pela Polícia Federal.
Em vídeo publicado na segunda-feira, Flávio negou que tivesse planos de deixar o país e afirmou que entregaria os passaportes. A assessoria do ex-candidato foi procurada, mas não respondeu.











