Crédito rural: 15% dos financiamentos em áreas com alertas ambientais
Imagem: Reprodução
Agro Uberlândia e Região

Crédito rural: 15% dos financiamentos em áreas com alertas ambientais

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Um levantamento do MapBiomas revela que 15% dos financiamentos de crédito rural no Brasil estão vinculados a áreas com alertas ambientais. Entre 2019 e 2025, foram registradas 831 mil operações, totalizando R$ 92,4 bilhões, em um contexto onde o volume total de crédito rural alcançou R$ 613,18 bilhões.

Esses dados, extraídos da nova versão do Monitor do Crédito Rural, mostram a intersecção entre informações financeiras e geoespaciais. É importante destacar que a presença de alertas de desmatamento ou degradação não implica, necessariamente, em irregularidades nas operações de crédito.

Bancos concentram maior parte dos recursos

Embora mais de 400 instituições atuem no crédito rural, cinco delas concentram cerca de 60% dos recursos liberados. O Banco do Brasil, o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia, o Sicredi e o Banrisul são os principais responsáveis por essa distribuição.

O Banco do Nordeste lidera em quantidade de contratos, representando 56% das operações, enquanto o Banco do Brasil se destaca pelo volume financeiro, com R$ 306 bilhões liberados, sendo 33% desses recursos relacionados a áreas com alertas ambientais.

A maior parte do crédito público foi destinada a investimentos, com a pecuária sendo a principal atividade financiada, respondendo por cerca de 58% dos contratos. Os bovinos, em particular, são o item mais financiado, presente em 27% das operações.

Estados com mais registros

O Piauí se destaca como o estado com o maior número de operações em áreas socioambientais, acumulando 336 mil contratos. Em termos financeiros, o Tocantins lidera com R$ 13,9 bilhões, seguido por Mato Grosso e Rondônia.

O levantamento também esclarece que alertas de desmatamento indicam perda de vegetação, mas não necessariamente irregularidades. O Código Florestal Brasileiro permite a supressão de vegetação nativa com autorização prévia, enquanto áreas embargadas não podem receber crédito rural.

Uma nova regra aprovada em 2024 pelo Conselho Monetário Nacional exigirá que os bancos cruzem dados de satélite para impedir concessões de crédito em áreas com alertas, mesmo antes de um embargo oficial. Essa medida entrará em vigor em janeiro de 2027.

As instituições financeiras, como o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, afirmam que seguem rigorosos critérios para evitar concessões em áreas protegidas. Essas ações visam garantir que o crédito rural contribua para um desenvolvimento sustentável no setor agrícola.

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