
Sufocando a ironia e se apropriando de situações cotidianas sob um ponto de vista norte-americanizado de uma garotada que enxerga a vida adolescente de muitas formas, o longa-metragem A Colega Perfeita, novo lançamento da Netflix, busca ser uma comédia engraçada, com pitadas de reflexões. No entanto, a obra cai no lugar-comum na maior parte do tempo, sem apresentar nada de novo, numa mescla de baboseira e lições existenciais rasteiras.
Dirigido pela cineasta canadense Chandler Levack, com roteiro assinado por Jimmy Fowlie e Ceara O’Sullivan, o filme apresenta uma narrativa feita para agradar a juventude que busca um passatempo ligeiro, sem muitas pretensões de fazer pensar sobre os temas que aparecem, encontrando nas situações conflituosas – e nos exageros – o riso fácil. Por meio dos mais diversos clichês e da falta de inventividade, recorrendo aos esteriótipos por todos os lados, embarcamos na comodidade de um roteiro que se esconde de qualquer profundidade.

Uma orientadora resolve ajudar duas amigas que dividem o quarto e estão em conflito, contando uma história. Assim, conhecemos a trajetória da jovem e estudiosa Devon (Sadie Sandler), que está em um momento divisor de águas, marcada pela ansiedade diante da entrada na universidade, onde vai estudar arquitetura. Sem muitas amizades, acaba conhecendo Celeste (Chloe East), uma jovem mais velha que também vai entrar na faculdade. Elas decidem dividir o mesmo quarto, e os conflitos começam a aparecer.

Contornando a cultura pop para entregar uma série de referências de rápida assimilação, essa comédia escrachada caminha por questões que cercam os quase jovens adultos, como a sexualidade, a chegada das responsabilidades da vida adulta e os deslizes que a imaturidade pode provocar. Entre razões e emoções, o filme se lança em um caminho que tenta se encontrar com lições sobre a inconsequência, a sociabilidade e a necessidade de uma zona de conforto, preenchendo os quase 110 minutos de projeção com um puro suco de entretenimento pouco envolvente.

A Colega Perfeita ainda possui um discurso pouco convincente, que encosta em conveniências, e deixa muito a desejar quando pensamos em desenvolvimento de personagens. O que domina a tela é o absurdo de situações mirabolantes, usadas – talvez – para ensaiar reflexões que não se mostram eficientes e, muitas vezes, nem geram o tão sonhado riso.