Cuidado na hora de comprar um processador AMD Ryzen!

Os processadores da AMD estão bastante presentes na nossa cobertura de hardware no Adrena, e inclusive são muito recomendados. O Ryzen 7 7800X3D sendo uma recomendação constante para gamers entusiastas, o Ryzen 5 7600 para os intermediários e o Ryzen 5 5500 salvando o dia lá no PC Baratinho para jogar do Adrena.

Mas a forma como a AMD constrói seu line-up de produtos, especialmente depois de um tempo, cria algumas armadilhas, e também a forma como comparamos recursos e especificações também podem fazer o consumidor fazer escolhas erradas.

Hoje vamos explicar que armadilhas são essas, e como fugir delas!

O tal do cache

Um ponto que pega muita gente é uma variação em uma especificação que não costuma ter muito o foco da galera: o cache de memória em processadores. Ele ganha holofotes quando é ampliado, como a Nvidia faz questão de destacar na série RTX 40, ou a AMD comi muito alvoroso fala dos processadores X3D e seu 3D Vcache.

Mas quando é hora de destacar que há uma redução, não há o mesmo esforço em diferenciar o produto. Abaixo temos quatro processadores, sendo que o Ryzen 7600 e 8600G ambos são hexa-cores em Zen4, e o Ryzen 5600 e 5600G, ambos também hexa-cores mas em zen3.

Por que temos uma queda tão acentuada entre produtos em teoria semelhantes? O motivo é a redução no cache de nível 3. Veja que as especificações não são tão diferentes entre o 5600 e o 5600G, exceto no cache que foi reduzido pela metada.

Por causa da necessidade de dedicar mais área de die para os gráficos integrados, a área de cache disponível (parte em roxo nestes diagramas) no 5600G é bem menor que a do 5600.

Essa redução não vai impactar necessariamente em todos os cenários, mas em rodando em altas taxas de quadro, onde a latência é crítica, isso faz muita diferença. Isso fica visível também neste teste com Rainbow Six Siege (onde faz uma grande mudança) e em Red Dead Redemption 2 (onde não faz).

Quem conhece o line-up Ryzen já está ciente disso. É uma característica constante da linha 5000G e 8000G, então o mesmo efeito acontece em comparativos como 5700G vs 5700X, ou 8700G e 7700X/7700.

Quem não está por dentro, porém, pode comprar perder oportunidade de desempenho porque acha que um 5600G e 5600 dão na mesma devido ao nome parecido, mas está pegando um gráfico integrado que pode não fazer diferença nenhuma para ele, e em contrapartida, perdendo alguns FPS em seus games.

Mas tem um caso que acho mais complicado: a variação dentro do line-up. Os Ryzen 5000 “não X” foram introduzidos com modelos que, na prática, apenas reduziam um pouco seus clocks verus os modelos X. Tem sido assim já faz algumas gerações Ryzen, mas aí surgem caras como o Ryzen 5700.

Ele não tem gráficos, por isso está sem o final G, mas diferente do Ryzen 5 5600, que mantém o cache L3 igual ao do 5600X só reduz clocks, o Ryzen 7 5700 tem essa redução do cache pela metade. Isso faz o 5700 ser menos parecido com o 5700X do que o 5600 é do Ryzen 5600X.

PCIe também

Há também algumas configurações que vão além dos núcleos, das frequências e até do cache que é importante ficar de olho. Outra configuração que pode ser bem limitada são os slots PCIe disponíveis.

A linha Ryzen pode trazer grandes reduções na disponibilidade de expansão com placas externas e SSD, e dependendo do tamanho da redução, isso pode virar um problema grande. Isso pega bastante nos Ryzen 8000G, um dos lançamentos mais recentes da AMD.

Os processadores da linha 8000G já possuem menos linhas PCIe que os Ryzen 7000. Algumas dessas linhas são “perdidas” para o gráfico integrado, fazendo as 28 linhas PCIe 5.0 de um Ryzen 7000 (codinome Raphael) virar 20 linhas PCIe 4.0 nos 8000G (codinome Phoenix). Como são x12 vindo da mainboard, os Phoenix da AMD possuem apenas x8 disponíveis para as placas de vídeo.

Mesmo em PCIe 3.0, operar em x8 não costuma ser um problema grave, o problema fica ainda menos relevante em PCIe 4.0, onde temos uma boa largura de banda em x8. Mas novamente há uma redução ao longo do line-up que pode gerar confusão.

Os Ryzen 8000G tem uma segunda estrutura quando vão para os modelos de entrada. O Ryzen 5 8500G e o Ryzen 3 8300G usam um misto de núcleos Zen4 e o mais compacto e Zen4c. Isso derruba a quantidade de linhas PCIe de 20 para 14. No fim, acabam sobrando apenas 4 para uma placa de vídeo. O resultado é um impacto grande na largura de banda disponível (primeiro gráfico) e potencial perda de performance, especialmente se você não estiver operando em PCIe 4.0 (segundo gráfico):

Eu acho improvável que alguém em uma plataforma Ryzen 8000G já não esteja atualizado para operar em PCIe 4.0, o que ameniza essa problema, mas igualmente eu recomendaria fortemente que um gamer evite comprar um Ryzen 5 8500G se pretende no futuro por uma placa de vídeo.

Já vimos um gameplay rodando em x4 se sair melhor que o esperado em uma live, mas é um gargalo arriscado para se ter em uma máquina, especialmente na medida que jogos ficam mais exigentes em movimentação de elementos como texturas.

O caos nos notebooks

Mas talvez o local onde você precisa de maior trabalho na hora de revisar as especificações de processadores AMD são nos notebooks. A AMD fez uma “massaroca” com seu line-up de processadores para laptops, e isso fica bem evidente nesta tabela aqui:

Temos coexistindo três arquiteturas diferentes em uma única geração de produtos. Temos desde os modelos Zen2 (introduzidos já faz 5 anos) até a mais recente microarquitetura Zen4, com gráficos que vão de Vega a RDNA3.

Eu não vejo problemas em usar arquiteturas mais antigas. Elas tem muito potencial de entregar um produto com um bom nível de performance – ainda – e com o ponto forte de custar sensivelmente menos que os mais “empolgantes e fresquinhos” lançamentos. O que acho complicado é ter toda uma “nova” família de produtos em que nem tudo é novo, muito menos vai contar com a mesma tecnologia.

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