Dores menstruais são um desafio significativo para muitas alunas no Brasil, com quatro em cada dez faltando às aulas mensalmente devido a esse problema. Essa realidade impacta não apenas a saúde, mas também a educação e o futuro dessas jovens.
Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info revelou que 37,1% das alunas do ensino fundamental e médio faltam às aulas devido a cólicas menstruais. O estudo, que ouviu 2.551 estudantes, docentes e gestores escolares, destaca a urgência de abordar a saúde menstrual nas escolas.
Impactos das cólicas menstruais
As cólicas menstruais são o principal motivo para a ausência escolar, afetando 57,7% das alunas. Além disso, sintomas como cansaço, dores no corpo e medo de vazamentos também contribuem para a evasão escolar, mostrando que a menstruação ainda é um tabu que precisa ser discutido abertamente.
O estudo aponta que as alunas podem faltar até dois dias por mês, o que, ao longo do ano, representa uma perda significativa de aprendizado. A especialista Sofia Reinach enfatiza que essa situação deve ser tratada com seriedade, pois afeta diretamente as oportunidades educacionais das jovens.
Desigualdade e infraestrutura
A pesquisa também revela desigualdades raciais e regionais. Alunas negras, por exemplo, faltam mais às aulas por motivos menstruais, e regiões como o Norte e Centro-Oeste enfrentam problemas de infraestrutura, como a falta de banheiros e produtos de higiene, que agravam a situação.
Em Brasília, iniciativas como a arrecadação de absorventes por estudantes mostram que é possível criar soluções para a pobreza menstrual. A mobilização de Ana Clara Maimoni, que arrecadou mil absorventes para uma escola, é um exemplo de como a comunidade pode se unir para enfrentar esse desafio.
Educação e conscientização
É fundamental que as escolas promovam a educação menstrual desde cedo, preparando as alunas para lidar com o ciclo menstrual de forma saudável. A falta de informação pode levar a um ciclo de dor e desconforto que se perpetua ao longo da vida.
Além disso, é importante envolver os meninos nas discussões sobre menstruação, quebrando tabus e promovendo um ambiente de apoio. A conscientização sobre a realidade das alunas pode ajudar a criar uma rede de suporte que beneficie toda a comunidade escolar.
Investir em saúde menstrual nas escolas é essencial para garantir o direito à educação e promover a equidade. Ao abordar essa questão de forma aberta e inclusiva, podemos contribuir para um futuro mais justo e saudável para todas as jovens brasileiras.











