Um drone equipado com pequenas “garras” conseguiu pousar e permanecer preso em superfícies de gelo inclinadas. Chamado Ice Dart, o equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Sherbrooke, no Canadá, para operar em locais onde seria difícil encontrar uma área segura para aterrissagem.
A tecnologia foi testada em icebergs e na geleira Fjallsjökull, no sudeste da Islândia. Durante os experimentos, o drone pousou em superfícies com inclinação de até 58 graus e enfrentou ventos de até 30 km/h, alcançando taxa de sucesso de 100%. O artigo sobre o projeto foi publicado no meio deste ano na plataforma IEEE Xplore.
O Ice Dart tem quatro pernas dispostas em formato de X, equipadas com um sistema de suspensão que ajuda a suavizar o pouso. Nos pés ficam os mecanismos responsáveis pela fixação: cada um possui dois pequenos espinhos retráteis de tamanhos diferentes, chamados de microspines.
Quando as pernas entram em contato com o gelo, os espinhos se prendem à superfície e ajudam a manter o drone imóvel. O mecanismo foi inspirado nas garras dos gatos e projetado para ser ativado durante o pouso independentemente da orientação do equipamento ou das características do local.
Os espinhos de tamanhos diferentes ajudam o drone a se adaptar a superfícies inclinadas. O maior é acionado quando determinada parte precisa exercer mais força para sustentar o equipamento, enquanto o menor atua nas áreas que recebem menos pressão.
O Ice Dart pesa 2,65 quilos e tem estrutura de fibra de carbono. Nos testes realizados na geleira Fjallsjökull, o drone conseguiu pousar a velocidades de até 10 km/h. Os experimentos ocorreram com temperaturas entre 0 °C e 10 °C e forte ventania.
Segundo os pesquisadores, pousar e permanecer no solo pode ampliar o tempo de operação dos drones em campo. Como o consumo de energia é menor quando o equipamento está parado, o Ice Dart poderia monitorar icebergs e geleiras por dias ou meses, produzindo um acompanhamento mais detalhado do que uma missão rápida de voo.
A tecnologia também pode complementar a detecção de icebergs feita por satélites e navios. De acordo com o artigo, o drone poderia ser usado ainda em formações de gelo difíceis de acompanhar por outros métodos.
Os desenvolvedores planejam aprimorar o Ice Dart para que ele escolha de forma autônoma um local adequado para pousar e conte com um sistema de decolagem de emergência.











