Aos 35 anos, Duda Labellecqua comanda há sete anos a Alpha Club, uma boate em Jundiaí que recebe casais, homens solteiros e profissionais do sexo. Em entrevista, ela falou sobre a atuação nas redes sociais, poder, relacionamentos, clientes e sua trajetória pessoal.
Duda mantém um perfil no Instagram em que responde a perguntas sobre diferentes assuntos. Segundo ela, não tem dificuldade para falar sobre sexo, porque não o considera um pecado. Na avaliação da empresária, os sete pecados capitais foram usados pela Igreja como instrumentos de doutrinação pelo medo, especialmente o medo de experimentar aquilo que proporciona prazer.
Para ela, as perguntas mais difíceis são as feitas por homens que tentam atacar sua integridade e a colocam na posição de provar o próprio valor. Duda afirmou que esse tipo de cobrança é cansativo e que acredita que muitas mulheres enfrentam a mesma situação.
Ao definir o que entende por poder, Duda respondeu que, para ela, poder é liberdade. A empresária disse que se sente poderosa por atuar em um ramo dominado por homens e conduzir o negócio com profissionalismo, apesar dos ataques e das represálias de críticos nas redes sociais.
Questionada sobre o que faria um casal permanecer unido por 50 anos, Duda apresentou duas possibilidades. Na primeira, segundo ela, a mulher se torna submissa, silencia diante das próprias dores, suporta traições e renuncia a si mesma para manter um casamento que pode existir apenas como fachada.
Na segunda hipótese, a dinâmica se inverteria, com o homem submetido à liderança de uma mulher dominadora, responsável pelas decisões, enquanto ele cuidaria da casa e viveria para servi-la e agradá-la. Duda afirmou não acreditar em uma terceira possibilidade baseada apenas em amor e respeito durante cinco décadas, ressaltando que essa é sua percepção sobre os relacionamentos, e não uma verdade absoluta.
Sobre o maior valor gasto por um cliente da Alpha Club, Duda afirmou que um homem chegou a desembolsar quase R$ 40 mil em uma única noite. Para ela, o mercado do entretenimento adulto movimenta valores altos e pessoas interessadas em experiências exclusivas estão dispostas a pagar por elas.
Na avaliação da empresária, homens que seguem um discurso cristão e conservador costumam procurar uma mulher considerada “dama semivirgem” para se casar, numa tentativa de sustentar uma imagem ligada à tradição católica. Duda classificou como hipócrita a exigência de pureza feita por alguns homens, enquanto eles escondem desejos e fetiches que não assumiriam publicamente.
Ela também afirmou não acreditar que as pessoas sejam atraídas pela perfeição. Para Duda, os desejos surgem ainda das estranhezas, imperfeições e aspectos que não são revelados a ninguém. Por isso, considera que casais mais desconstruídos podem formar parcerias melhores, por se escolherem conhecendo as sombras um do outro.
Sobre os homens que procuram uma boate para sair com uma profissional do sexo, Duda disse que muitos buscam reafirmar a própria masculinidade. De acordo com ela, quando sentem que estão perdendo poder, procuram validação externa e querem demonstrar riqueza, desejo, importância e sucesso.
Ela acrescentou que a boate também pode ser vista como um espaço para explorar desejos e realizar fantasias que não são revelados aos parceiros ou à sociedade. Na visão de Duda, todos carregam um lado obscuro que nem sempre têm coragem de assumir publicamente.
A empresária contou que seu sucesso profissional começou após uma experiência difícil no casamento. Ela afirmou que era a parte submissa da relação e se calava diante de determinadas atitudes até descobrir que o marido era viciado em garotas de programa.
Depois de sofrer com a descoberta, Duda decidiu transformar a dor em uma oportunidade. Como não poderia trabalhar como garota de programa por ter dois filhos e pertencer a uma família tradicional da cidade, optou por abrir um cabaré.
Segundo ela, Duda disse ao então marido que um dia ficaria muito rica e, quando isso acontecesse, decidiria se o perdoaria. Quatro anos depois, após conquistar o sucesso profissional, contou que voltou a falar sobre a promessa e anunciou que deixaria a casa porque não o perdoava.
A empresária afirmou que, naquele momento, acreditava que ninguém desejaria se casar com ela por ser dona de um bordel e ter uma reputação conhecida. Depois, porém, conheceu um homem que descreve como tão caótico quanto ela. Os dois construíram uma família e, atualmente, ele também é seu parceiro nos negócios.
Duda contou que o casal está junto há um ano e meio e se chama de Bonnie e Clyde, em uma relação marcada, segundo ela, por risadas, caos e cumplicidade.











