O mercado global de laranja de mesa está passando por uma transformação significativa, com o Egito e a África do Sul se consolidando como líderes nas exportações da fruta. Juntos, esses países devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026, de acordo com dados da CitrusBR. Essa mudança impacta diretamente a competitividade de outros exportadores tradicionais, como os Estados Unidos e países europeus.
Entre 2010 e 2026, Egito e África do Sul adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de laranja ao mercado global. Em 2010, esses países representavam 48,6% do comércio internacional, com 47,6 milhões de caixas. Para 2026, a expectativa é que suas exportações alcancem 83,3 milhões de caixas, um crescimento que reflete uma reestruturação no setor citrícola.
Desafios para os concorrentes tradicionais
A retração dos concorrentes, especialmente dos Estados Unidos, foi crucial para o avanço dos países africanos. A produção americana, afetada pelo greening e por eventos climáticos adversos, deve cair de 18,3 milhões de caixas em 2010 para apenas 8 milhões em 2026. Essa queda representa uma redução de 56% e abre espaço para novos fornecedores no mercado internacional.
Na Europa, a situação não é diferente. Secas prolongadas e doenças nos pomares resultaram em uma diminuição significativa na produção, fazendo com que os exportadores europeus perdessem competitividade. Com isso, Egito e África do Sul se beneficiam, conquistando novos mercados e ampliando sua presença global.
Avanço da África do Sul e do Egito
A África do Sul, por exemplo, viu sua produção crescer de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026. Suas exportações também aumentaram, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas. Além de manter a União Europeia como um importante destino, o país agora também exporta para mercados como China e Rússia.
O Egito, por sua vez, consolidou sua posição como potência exportadora a partir de 2016, impulsionado por acordos comerciais e custos de produção competitivos. Essa estratégia permitiu ao Egito aumentar sua participação nos mercados internacionais, tornando-se um dos maiores exportadores de frutas frescas.
Embora o Brasil ainda seja o líder na produção de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola. A expansão da capacidade de processamento do Egito, por exemplo, pode impactar a competitividade do Brasil no mercado de suco, que já enfrenta desafios com a redução das exportações.











