O possível retorno do fenômeno El Niño em 2026 já gera preocupações no agronegócio brasileiro. Este evento climático pode intensificar a instabilidade das safras, alterando regimes de chuva e temperatura, o que eleva a pressão de pragas e doenças nas principais regiões produtoras do país.
Projeções meteorológicas indicam uma alta probabilidade de formação do fenômeno a partir do segundo semestre de 2026. Os impactos devem variar entre as regiões: enquanto o Sul pode enfrentar excesso de chuvas, o Norte e o Nordeste devem lidar com estiagens, e o Centro-Oeste e Sudeste experimentarão variações térmicas.
Condições climáticas favorecem aumento da pressão de pragas agrícolas
Especialistas afirmam que o cenário típico do El Niño cria condições propícias para a rápida multiplicação de insetos-praga, especialmente em sistemas de produção mais intensivos. O aumento da temperatura e o estresse hídrico aceleram o ciclo biológico de pragas, como a cigarrinha-do-milho e a lagarta Spodoptera frugiperda.
Na cultura da soja, a incidência de lagartas desfolhadoras, como a falsa-medideira e a Helicoverpa, deve aumentar, assim como a presença de mosca-branca e percevejos. O ambiente mais quente e úmido favorece o crescimento populacional desses insetos, ampliando os danos econômicos e os custos de manejo fitossanitário.
Controle biológico ganha protagonismo no Manejo Integrado de Pragas
Diante do cenário de maior risco fitossanitário, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) com soluções biológicas se torna uma estratégia central nas lavouras brasileiras. O uso de bioinsumos permite maior seletividade no controle de pragas, preservando inimigos naturais e reduzindo a dependência de inseticidas químicos.
Tecnologias biológicas, como o uso de macrobiológicos e baculovírus, têm se destacado no controle de pragas. Produtos como o Defender Soy, que utiliza a microvespa Telenomus podisi, atuam no controle de ovos do percevejo-marrom, interrompendo o ciclo da praga antes que ela cause danos significativos.
Com a crescente adoção de tecnologias biológicas, a Life Biological Control, com sede em Piracicaba (SP), registrou um crescimento superior a 200% nas vendas nos últimos 12 meses. Essa tendência reflete a mudança no modelo produtivo, onde a sustentabilidade e a resiliência se tornam fundamentais na estratégia do produtor rural.











