Em meio a suspeitas de invasão no Morro do Juramento, traficantes do TCP postam foto em piscina construída por facção rival

O Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, tem sido alvo de disputa entre traficantes do Terceiro Comando Puro e do Comando Vermelho, último a dominar o tráfico de drogas na localidade. Na tarde de quinta-feira, passageiros do metrô que passava na estação Thomaz Coelho chegaram a se jogar no chão durante um tiroteio na região. Nas redes sociais, postagens apontam para a tomada do local pelo TCP, cujos criminosos chegaram a fazer postagens numa piscina construída há mais de 10 anos pela facção rival.

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Em meios aos recentes confrontos, duas pessoas ficaram feridas na quinta-feira, vítimas de balas perdidas, e foram levadas para hospitais da cidade. A identidade delas não foi revelada. Segundo a PM, o policiamento foi reforçado na região.

Em 2014, o EXTRA revelou que a 27ª DP (Vicente de Carvalho) investigava a construção de uma piscina no Morro do Juramento. Quase dois anos depois, os agentes concluíram que ela havia sido patrocinada pelo tráfico local, à época, representado pelo Comando Vermelho. A água que a abastecia, segundo o relatório da polícia, era retirada das casas dos moradores, que chegaram a ficar um tempo sem abastecimento.

A piscina foi construída no meio da Praça Cotegi, localizada atrás de uma escola municipal. Ao lado dela, funcionava uma boca de fumo, o que fazia a presença de traficantes armados ser recorrente. Moradores chegaram a contar que qualquer pessoa poderia usá-la, desde que não se incomodasse com as atividades do tráfico no entorno.

Nas investigações, a 27ª DP descobriu que a piscina fora construída a mando de Flavio Silva Mendonça, o Flavinho, morto em janeiro de 2015. Uma operação chegou a acontecer naquele ano no Morro do Juramento, quando 27 envolvidos com a obra ilegal foram presos. Entre eles, estava o presidente da Associação de Moradores, Sebastião Jorge Fortunato, apontado como responsável por cumprir as ordens de Flavinho e construir a piscina.

O então delegado da 27ª DP, Felipe Curi, atualmente secretário da Polícia Civil fluminense, afirmou à época que o líder comunitário cobrava uma taxa mensal de R$ 10 dos moradores para a manutenção da piscina — abastecida com 130 mil litros por um gato d’água, que ligava a instalação à tubulação da favela —, além de repassar para os bandidos 10% do valor de cada casa vendida na comunidade.

Mesmo com a conclusão das investigações e das prisões, a piscina levou quatro anos para ser demolida numa ação conjunta entre a Polícia Militar e a secretaria de Ordem Pública do município. Em novembro de 2018, após reportagens revelarem que a piscina tinha até página própria nas redes sociais, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi à região para desmanchá-la.

No entanto, há alguns meses, ela teria sido reconstruída, ganhando novos azulejos.

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