Estrela do Sul completa 165, 170 ou 304 anos em 2026, conforme o marco histórico considera…
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Estrela do Sul completa 165, 170 ou 304 anos em 2026, conforme o marco histórico considera…

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Estrela do Sul celebra seu aniversário neste sábado (19), mas a idade do município depende do acontecimento histórico usado como referência. Em 2026, a cidade pode ser considerada como tendo 165, 170 ou até 304 anos.

A diferença está ligada a três momentos da história local: a passagem de bandeirantes pela região, em 1722; a criação do município, em 1856; e a elevação de Bagagem, antigo nome da localidade, à categoria de cidade, em 1861.

Para o jornalista e pesquisador Pedro Divino Rosa, conhecido como Pedro Popó, a comemoração em 19 de setembro reuniu o ano da criação do município, em 1856, com o dia e o mês da elevação de Bagagem à categoria de cidade, em 1861. “Em Estrela do Sul se comemora o aniversário de emancipação política do município como sendo 19 de setembro de 1856. Isso está errado”, afirma.

A documentação histórica indica que a Lei Provincial nº 777, de 30 de maio de 1856, elevou Bagagem à categoria de vila e estabeleceu o município. Cinco anos depois, a Lei Provincial nº 1.101, de 19 de setembro de 1861, transformou a vila em cidade.

O ano de 1722 é associado à passagem de uma expedição de bandeirantes pelo então Sertão da Farinha Podre, território que abrangia a região do atual Triângulo Mineiro. Segundo Pedro Popó, o grupo era comandado por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera II, e seguia de São Paulo em direção ao Planalto Central. João Leite da Silva Ortiz, genro de Anhanguera, também fazia parte da expedição.

Relatos históricos relacionam a passagem à descoberta de diamantes no Rio Bagagem. A história oficial do município atribui a João Leite da Silva Ortiz a descoberta de pedras no local em 1722. Popó ressalta, porém, que esse episódio não representa a fundação administrativa de Estrela do Sul. “O ano é apenas uma referência à passagem das bandeiras pela região. Contudo, ficou registrado como o da descoberta do lugar. Simplesmente isso”, explica.

Considerar 304 anos, portanto, significa adotar 1722 como marco histórico da ocupação colonial da região, e não como o nascimento formal do município ou da cidade.

A formação da localidade ocorreu nas décadas seguintes. Conforme o levantamento apresentado por Pedro Popó, as primeiras sesmarias no território da atual Estrela do Sul foram concedidas, em 1818, ao padre Fortunato José de Miranda e a Manoel Dias da Rocha.

Bagagem se desenvolveu com a exploração de pedras preciosas. O crescimento se intensificou na década de 1850, após a descoberta do diamante que ficaria conhecido como Estrela do Sul e a chegada de pessoas atraídas pelo garimpo. Em 27 de abril de 1854, a Lei Provincial nº 667 elevou o Distrito Diamantino da Bagagem à categoria de paróquia.

A instalação administrativa da vila ocorreu posteriormente, em 30 de setembro de 1858, de acordo com o levantamento de Popó. A diferença entre a criação legal e a instalação acrescenta outra data à cronologia do município.

Já a contagem de 165 anos considera a elevação da Vila da Bagagem à categoria de cidade, em 19 de setembro de 1861. “A elevação à categoria de cidade ocorreu em 19 de setembro de 1861. Portanto, Estrela do Sul completaria 165 anos neste ano”, afirma o pesquisador.

Na avaliação de Popó, a tradição local passou a combinar o dia e o mês de 1861 com o ano de 1856, quando o município foi criado. Os documentos, no entanto, mostram que os dois acontecimentos estão separados por cinco anos: Bagagem se tornou vila e município em 1856 e foi elevada à categoria de cidade em 1861.

A história de Dona Beija também está ligada ao período. Segundo Pedro Popó, ela chegou a Bagagem em 1853, quando o garimpo atraía pessoas de diferentes regiões. A mudança teria ocorrido por influência do genro Clementino Martins Borges, casado com Joana de Deus de São José, uma de suas filhas.

Naquele momento, Bagagem ainda não tinha o título de cidade. Dona Beija viveu na região até morrer, em 1873. De acordo com Popó, ela participou da vida local e financiou a construção de uma ponte no centro para permitir a passagem da procissão de Nossa Senhora Mãe dos Homens, santa de sua devoção. Os escombros da casa onde ela teria vivido os últimos anos permanecem entre as referências históricas associadas à personagem.

Mesmo depois da elevação à categoria de cidade, em 1861, a localidade continuou oficialmente chamada Bagagem. A mudança para Estrela do Sul ocorreu em 16 de setembro de 1901, com a Lei Estadual nº 319. O nome faz referência ao diamante encontrado na região. Em 2026, são 125 anos da adoção da denominação.

Assim, a cronologia local reúne a passagem dos bandeirantes, em 1722; a criação do município, em 1856; a elevação à categoria de cidade, em 1861; e a adoção do nome Estrela do Sul, em 1901.

Parte dessa trajetória ainda está presente em construções antigas, igrejas e referências ligadas à mineração e à passagem de Dona Beija. Segundo Pedro Popó, um movimento de preservação ganhou força em 1984, quando ele, Mário Lúcio Rosa, Almir Antônio Rosa e outros moradores criaram o Preserv-Ação.

A iniciativa buscava conscientizar a população sobre a importância do patrimônio histórico e divulgar o potencial turístico do município. No ano seguinte, o grupo criou a Casa da Cultura de Estrela do Sul. De acordo com Popó, o espaço está temporariamente fechado e precisa de recursos e ampliação para receber o museu, o arquivo histórico e a biblioteca.

Em 2026, Estrela do Sul soma 304 anos quando considerada a referência histórica de 1722, 170 anos desde a criação do município e 165 anos desde a elevação de Bagagem à categoria de cidade. Há ainda os 125 anos da adoção do nome atual.

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