Aos 14 anos, o estudante Pedro Henrique Vaz Negrini recebeu reconhecimento internacional em Londres, na Inglaterra, por um ensaio que relaciona ideias do filósofo americano John Rawls à música Geração Coca-Cola, da banda Legião Urbana.
Morador de Uberlândia desde 2025 e aluno do Gabarito, Pedro foi premiado no Global Essay Prize 2026, promovido pelo John Locke Institute. O trabalho, escrito em inglês, aborda os impactos da ajuda internacional no combate à pobreza.
O estudante competiu com participantes da Índia, China, Hong Kong e Reino Unido. No dia 4 de outubro, recebeu a distinção High Commendation, concedida a trabalhos de destaque na competição. Na categoria escolhida por Pedro, o reconhecimento correspondeu a uma colocação estimada entre o quarto e o sétimo lugar, com empate entre quatro participantes.
Segundo o estudante, mais de 100 mil pessoas se inscreveram e apenas 15% foram escolhidas para a fase final, da qual ele participou. “Foi algo que me deixou extremamente emocionado, extremamente feliz com a notícia e que representou todo o meu esforço, toda a minha dedicação e trabalho que tive para produzir o meu texto”, afirmou.
Pedro escolheu a categoria de Relações Internacionais e respondeu à pergunta sobre se a ajuda externa beneficia ou prejudica as pessoas mais pobres. No ensaio, defendeu que o apoio internacional pode ser fundamental para que os países desenvolvam instituições fortes, conquistem autonomia e tenham condições de tomar as próprias decisões.
A reflexão foi inspirada no pensamento de John Rawls, especialmente na obra The Law of Peoples. O estudante também utilizou ideias da economista Dambisa Moyo, autora de Dead Aid, livro que questiona a eficácia da ajuda internacional quando ela se prolonga sem resolver os problemas estruturais dos países beneficiados.
O adolescente ainda discutiu a importância da ajuda em situações emergenciais, como desastres naturais e crises médicas, mas argumentou que esse apoio deve contribuir para a independência das nações.
Uma das conexões com a realidade brasileira foi feita por meio da música Geração Coca-Cola. Pedro utilizou a canção para discutir como influências externas podem moldar uma sociedade e criar relações de dependência, em vez de promover uma verdadeira liberdade.
“Assim como a música fala de uma geração moldada pelo que os outros empurram contra nós, as relações globais muitas vezes criam uma dependência em vez de dar verdadeiramente a liberdade”, explicou.
O ensaio também faz referências ao livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e à música A Novidade, dos Paralamas do Sucesso. Na análise da obra literária, o estudante utilizou a trajetória de uma família extremamente pobre para ilustrar como determinadas formas de ajuda podem não ser suficientes para romper o ciclo da pobreza.
Outra referência foi o conto Os que se afastam de Omelas, da escritora Ursula K. Le Guin. A história apresenta uma cidade próspera cuja felicidade depende do sofrimento de uma criança e ajudou Pedro a explorar questões éticas relacionadas à desigualdade e ao bem-estar coletivo.
Além de filosofia e literatura, o estudante incorporou ao texto conhecimentos de economia, sustentabilidade, ciências políticas e relações internacionais. Ele também abordou o ESG, sigla em inglês para ambiental, social e governança, tema que estuda há algum tempo e que está relacionado à avaliação do desempenho de empresas nessas três áreas.
“Eu tinha muitas coisas na cabeça, de várias áreas, relações internacionais, economia, sustentabilidade, ciências políticas, músicas, livros, pensadores, e foi um desafio juntar tudo em um só texto”, relatou.
Natural de Brasília, Pedro mora no bairro Jardim Sul, em Uberlândia, desde 2025. Apesar da dedicação aos estudos, ele afirma manter uma rotina semelhante à de outros adolescentes da mesma idade. Além de gostar de matemática, economia e sustentabilidade, também gosta de jogar futebol, brincar e se divertir.
“Eu sou um adolescente como qualquer um. E, se eu consegui, todos conseguem”, afirmou.
O reconhecimento internacional motivou Pedro a incentivar outros estudantes brasileiros a participarem de competições acadêmicas. A próxima cerimônia deverá ocorrer em Paris, na França, em 2027.











