A ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) completou 24 horas nesta sexta-feira, 8 de maio. Estudantes em greve permanecem no prédio administrativo, aguardando a abertura de uma mesa de negociação com o reitor Aluísio Segurado, que assumiu o cargo em janeiro deste ano. A mobilização é um reflexo das insatisfações acumuladas entre os alunos, que buscam diálogo e soluções para suas demandas.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP convocou uma assembleia para discutir a situação e pediu apoio dos funcionários técnico-administrativos, que também enfrentaram greves recentemente. A falta de água e energia no prédio ocupado tem gerado dificuldades para os manifestantes, que organizam revezamentos para acessar alimentação e banheiros.
Reivindicações dos Estudantes
Entre as principais demandas do movimento estão o aumento dos auxílios de permanência estudantil e a ampliação de políticas de inclusão. Os estudantes também pedem a criação de cotas para pessoas trans, a implementação de um vestibular indígena e a contratação de intérpretes de Libras. Além disso, reivindicam adaptações nos programas de mestrado e doutorado para candidatos com deficiência auditiva.
Os manifestantes afirmam que só deixarão o prédio após a confirmação de uma reunião com a reitoria. A Associação de Docentes da USP expressou apoio à greve e anunciou uma paralisação das atividades para a próxima segunda-feira, 11 de maio. A última ocupação da reitoria ocorreu em 2013, o que demonstra a gravidade da situação atual.
A presença da Polícia Militar no local tem gerado controvérsias. Segundo a diretora do DCE, Rosa Baptista, a ação policial reflete a falta de diálogo por parte da gestão universitária. Em resposta, a reitoria e direções de institutos alegaram que houve depredação de patrimônio público, citando a derrubada da porta principal do prédio.
Os estudantes também criticam a qualidade da alimentação nos restaurantes universitários, onde relatos de larvas e outros contaminantes têm sido frequentes. Atualmente, a USP conta com apenas um bandejão administrado diretamente pela universidade, enquanto os demais são geridos por contratos terceirizados, o que levanta questões sobre a qualidade dos serviços prestados.
O movimento estudantil destaca que os auxílios de permanência são insuficientes para cobrir os altos custos de vida em São Paulo. Com aluguéis na região do Butantã em torno de 3 mil reais, os reajustes propostos pela reitoria são considerados irrisórios pelos estudantes. A pressão por melhorias nas condições de vida e estudo é um dos principais motores da greve.
A greve tem atraído apoio político, com a presença de deputadas estaduais do PSOL, que se reuniram com os estudantes. A deputada federal Erika Hilton também enviou um ofício ao reitor solicitando a retomada do diálogo. As parlamentares criticaram a abordagem da polícia e enfatizaram a importância de garantir condições adequadas para os estudantes.











