O mercado de etanol no Brasil enfrentou uma queda significativa em abril, resultado do avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul. O aumento da oferta do biocombustível, aliado a uma demanda mais cautelosa, pressionou os preços tanto do etanol hidratado quanto do anidro, conforme aponta o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Com condições climáticas favoráveis, as usinas aceleraram a moagem de cana, ampliando a produção de etanol e açúcar. Essa intensificação da safra elevou a disponibilidade do produto no mercado interno, reduzindo a sustentação dos preços observada nos primeiros meses do ano. A concorrência entre combustíveis também contribuiu para a pressão sobre os preços.
Queda nos preços do etanol
O etanol hidratado, especialmente nas usinas paulistas, registrou uma queda expressiva em abril. Essa diminuição é atribuída ao aumento da oferta e à postura cautelosa dos compradores, além da necessidade de geração de caixa das usinas no início da safra. O volume ofertado no mercado spot cresceu, intensificando a pressão sobre os preços.
O setor de etanol continua atento a fatores que podem gerar volatilidade nos próximos meses. O comportamento do petróleo, as políticas de combustíveis e as condições climáticas são elementos que podem impactar o mercado. Apesar da recente pressão nos preços, a demanda por biocombustíveis permanece positiva no médio e longo prazo.
Outro aspecto relevante é a estratégia das usinas em relação ao mix de produção entre açúcar e etanol. Com o mercado internacional do açúcar apresentando preços atrativos, algumas usinas podem optar por direcionar mais cana para a produção de açúcar, limitando a expansão da oferta de etanol. Essa dinâmica pode influenciar diretamente os preços do biocombustível no mercado interno.
Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da volatilidade nos preços do etanol. O ritmo de moagem, a comercialização das usinas e as oscilações no mercado internacional de energia serão fatores determinantes para a formação das cotações. O Itaú BBA destaca que o comportamento do câmbio e os preços do petróleo também são cruciais para o setor.
A busca por fontes de energia mais sustentáveis e o crescimento do mercado de biocombustíveis são tendências que sustentam a perspectiva de demanda no setor. Assim, mesmo diante das dificuldades atuais, o agronegócio brasileiro se mantém otimista quanto ao futuro do etanol e sua importância na matriz energética nacional.











