O setor sucroenergético do Centro-Sul do Brasil apresentou um crescimento significativo na comercialização de etanol na safra 2026/27. Esse avanço é impulsionado pela competitividade do biocombustível em relação à gasolina, aumento da demanda interna e um ritmo acelerado nas operações das usinas.
Na segunda quinzena de abril, as unidades produtoras comercializaram 2,74 bilhões de litros de etanol, sendo 985,68 milhões de litros de etanol anidro e 1,76 bilhão de litros de etanol hidratado. O volume médio diário de vendas cresceu 15,26% em relação ao mês anterior, totalizando 1,75 bilhão de litros.
Demanda interna e competitividade do etanol
O aumento da demanda foi corroborado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que registrou um consumo de 1,83 bilhão de litros de etanol hidratado em abril. A participação do biocombustível na frota leve subiu para 24,6%, um aumento significativo em comparação aos 23,2% de março.
Em São Paulo, o principal mercado consumidor do país, a participação do etanol hidratado chegou a 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025. Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, essa competitividade é um reflexo direto da diferença de preços entre etanol e gasolina, que chega a 64,5% na média nacional.
Avanços na moagem e produção de etanol
Na segunda quinzena de abril, o Centro-Sul processou 40,06 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento considerável em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de usinas em operação também cresceu, totalizando 238, com 219 delas focadas na produção de cana.
A qualidade da matéria-prima melhorou, com o Açúcar Total Recuperável (ATR) alcançando 116,89 kg por tonelada, um aumento de 6,34% em relação ao ciclo anterior. A produção de etanol cresceu 71,84%, atingindo 3,29 bilhões de litros no acumulado da safra.
Mercado de CBios e sustentabilidade
O programa RenovaBio também mostrou avanços, com a emissão de 16,93 milhões de CBios em 2026. O total disponível para negociação soma 26,79 milhões de créditos de descarbonização, o que representa cerca de 66% dos créditos necessários para atender às exigências do programa até o final do ano.
Esses dados reforçam o papel do etanol como um vetor estratégico na transição energética do Brasil, destacando a importância do setor sucroenergético na agenda de sustentabilidade e competitividade do agronegócio. O crescimento do mercado de etanol não apenas beneficia os produtores, mas também contribui para uma economia mais sustentável e menos dependente de combustíveis fósseis.











