Os Estados Unidos deslocaram drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. Segundo reportagem de um jornal norte-americano, a transferência faz parte da ampliação das operações contra grupos ligados ao narcotráfico na América do Sul.
Conhecidos como “caçadores-assassinos”, os Reapers podem permanecer no ar por longos períodos e transportar mísseis e bombas. A quantidade enviada para cada país ainda não foi divulgada.
Um dos principais drones militares dos Estados Unidos, o MQ-9 Reaper pode custar até US$ 50 milhões, o equivalente a cerca de R$ 250 milhões. O modelo já foi usado em ataques contra grupos como Estado Islâmico, Al Qaeda e Al Shabab. Em 2020, um Reaper também participou da operação que matou o general iraniano Qassim Suleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica.
A transferência ocorre durante a expansão das ações americanas contra o narcotráfico na região. O general Francis L. Donovan, comandante responsável pela estrutura militar dos Estados Unidos para grande parte da América Latina, afirmou que Washington pretende ampliar as operações, passando de ataques contra embarcações para ações em terra.
A Colômbia informou, no meio do ano, que havia concordado em receber três MQ-9 Reaper e estudava comprar uma quarta aeronave. No Equador, dois drones já estão em operação, segundo o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo. “Dois foram entregues ao Equador para cooperação e já estão operando em nossos céus”, afirmou o ministro em entrevista de rádio.
As aeronaves podem auxiliar na localização de integrantes de grupos criminosos em regiões montanhosas e de floresta. Os equipamentos também contam com câmeras térmicas e recursos capazes de interceptar comunicações eletrônicas.
O deslocamento indica uma mudança na estratégia de Washington contra o narcotráfico. A experiência dos Reapers em outras regiões pode ampliar a vigilância e a identificação de alvos antes de possíveis operações em solo, com monitoramento prolongado de áreas de difícil acesso, uso de imagens térmicas durante a noite, interceptação de comunicações e apoio à localização de criminosos.
Além da função de monitoramento, o MQ-9 Reaper tem capacidade para transportar e disparar mísseis de alta precisão.
A ampliação da campanha preocupa organizações de direitos humanos, que temem riscos à população civil em eventuais ataques contra grupos ligados ao tráfico. Especialistas jurídicos também questionam a legalidade de ações letais contra supostos traficantes em embarcações na América do Sul.
Há ainda dúvidas sobre a eficácia de concentrar a estratégia na eliminação de lideranças. Especialistas afirmam que os grupos conseguem substituir rapidamente integrantes mortos ou presos, o que pode limitar os efeitos sobre o fluxo de drogas.
Francisco Palmieri, ex-diplomata americano que participou da formulação da estratégia antidrogas dos Estados Unidos, avaliou que a transferência tem forte significado político. “Como símbolo político, é inconfundível. É um sinal de um compromisso para expandir tanto o nível quanto o tipo de cooperação”, disse.
Por enquanto, a operação está concentrada na parceria dos Estados Unidos com a Colômbia e o Equador.











