O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) determinou que órgãos civis federais removam de seus sistemas de tecnologia da informação as ferramentas de inteligência artificial da chinesa DeepSeek. A medida também proíbe novas aquisições de produtos e serviços da empresa.
A restrição inclui tecnologias de empresas afiliadas e serviços de terceiros desenvolvidos com base nos modelos da DeepSeek. O governo americano citou riscos à segurança de dados, mas não estabeleceu um prazo para a retirada.
A determinação foi emitida com base na Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais, de 2018, após uma análise do Conselho Federal de Segurança de Aquisições. Segundo o DHS, os modelos da DeepSeek apresentam “múltiplos vetores de ameaça”.
O departamento teme que o uso das ferramentas por funcionários públicos ou fornecedores provoque a transferência de informações sensíveis para a China. O órgão também afirma que a tecnologia poderia produzir informações de inteligência sobre cidadãos americanos e agências governamentais.
Outra preocupação apontada pelas autoridades é a possibilidade de os próprios modelos conterem programas maliciosos ou vulnerabilidades de segurança. A proibição também alcança serviços de terceiros que utilizem implementações da tecnologia da DeepSeek.
A decisão amplia restrições já adotadas nos Estados Unidos. O Departamento de Comércio e a Marinha haviam proibido o uso da DeepSeek em dispositivos oficiais. Os estados de Nova York, Tennessee e Virgínia também adotaram medidas semelhantes.
Em um memorando de julho, divulgado na segunda-feira, 19 de outubro, o DHS orientou as agências federais a monitorar o tráfego de dados que entra e sai dos sites governamentais. O objetivo é identificar possíveis riscos relacionados ao uso da tecnologia.
A proibição da DeepSeek ocorre no contexto de outras medidas americanas contra tecnologias chinesas. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) deve votar em 29 de outubro uma proposta para impedir que laboratórios chineses testem dispositivos destinados ao mercado dos Estados Unidos.
A FCC também proibiu a importação de novos modelos de drones chineses e de roteadores de consumo fabricados na China. Em julho, a comissão votou por restrições à venda de dispositivos que contenham componentes de empresas chinesas consideradas riscos à segurança nacional.
Na área de telecomunicações, a agência propôs impedir que operadoras americanas mantenham conexões com empresas chinesas do setor classificadas como ameaças. As iniciativas fazem parte de uma política mais ampla de contenção de riscos associados à tecnologia chinesa.
Segundo o material de origem, 82% dos eletrônicos dos Estados Unidos eram testados na China no ano passado. Até a divulgação das informações, a Embaixada da China em Washington não havia comentado a decisão envolvendo a DeepSeek.











