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EVEO projeta aumento da demanda por infraestrutura de IA no Brasil nos próximos meses
Foto original adaptada visualmente por IA.
Inteligência Artificial

EVEO projeta aumento da demanda por infraestrutura de IA no Brasil nos próximos meses

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A demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial no Brasil deve mudar nos próximos meses. A expectativa é que o avanço do treinamento de modelos seja seguido por uma maior procura por recursos capazes de executar essas tecnologias em aplicações reais.

A avaliação é de José Henrique Bermejo, diretor de receitas (CRO) da EVEO. Em entrevista, ele afirmou que a empresa espera uma forte demanda por GPUs destinadas ao treinamento nos próximos 12 a 18 meses. Depois desse período, a tendência é de crescimento na busca por infraestrutura para sistemas de IA já em operação.

A EVEO encerrou o primeiro semestre com crescimento de cerca de 75% e estabeleceu como meta alcançar R$ 500 milhões em receita até 2030. Segundo Bermejo, o resultado foi impulsionado pela maior maturidade do mercado brasileiro em infraestrutura para IA, especialmente em projetos com GPUs, e pela ampliação da capacidade da empresa para atender aos clientes.

O executivo também citou o aporte da XP, realizado em dezembro de 2025, como um fator que ampliou a capacidade de investimento e a competitividade da EVEO na aquisição de infraestrutura. A empresa afirma estar entre as que mais compram GPUs NVIDIA no Brasil, o que permite oferecer infraestrutura pronta para entrega em determinados projetos.

A infraestrutura para inteligência artificial já representa a segunda maior linha de negócios da EVEO. Atualmente, parte relevante da demanda está concentrada no treinamento e na inferência de modelos, principalmente com o uso de GPUs.

As empresas procuram capacidade computacional dedicada, soberania dos dados, previsibilidade de custos e infraestrutura localizada no Brasil. O treinamento exige mais recursos e depende menos de latência. Já na inferência, etapa em que os modelos entram em produção, a baixa latência se torna mais importante.

Como o Brasil ainda estaria alguns meses atrás dos mercados mais maduros, a EVEO projeta forte procura por GPUs para treinamento nos próximos 12 a 18 meses. Na sequência, a expectativa é de aumento da demanda por infraestrutura próxima aos usuários para a execução dos modelos.

A companhia também aposta na oferta de clusters de GPUs já hospedados no Brasil, com ativação em poucas semanas. Para Bermejo, a disponibilidade local reduz o intervalo entre a contratação e o início da operação, além de oferecer vantagens relacionadas a custo, latência e soberania dos dados.

Em um cenário de restrições globais de oferta, a empresa considera que a combinação entre disponibilidade, rapidez e competitividade de custos pode se tornar um diferencial. A estratégia é antecipar parte da demanda e manter capacidade disponível para os clientes.

Paralelamente ao avanço da inteligência artificial, a EVEO observa um movimento de transferência de cargas de trabalho de nuvens públicas para ambientes de private cloud. De acordo com a empresa, o principal motivo é econômico, embora fatores como soberania e controle dos dados, baixa latência e previsibilidade de desempenho também influenciem essa decisão.

Em determinados casos, especialmente em cargas mais estáticas e previsíveis, a nuvem privada pode oferecer custos mais competitivos e maior previsibilidade orçamentária. A EVEO afirma que a economia pode superar 50% em relação a um ambiente de nuvem pública.

A expansão da empresa inclui investimentos em infraestrutura, tecnologia, automação, painéis de usuário e ferramentas de autoatendimento. Também estão previstos investimentos nas áreas de gestão, estrutura comercial, relacionamento com clientes, backoffice, operações, inteligência artificial, desenvolvimento e atendimento.

Segundo Bermejo, ampliar a capacidade sem comprometer a qualidade da operação e a experiência do cliente é um dos principais desafios da companhia. A disponibilidade de servidores, memória, armazenamento e GPUs também permanece como um ponto de atenção, devido às restrições globais de oferta.

Para enfrentar esse cenário, a EVEO trabalha com planejamento antecipado de compras, estrutura financeira, cadeia de fornecedores e capacidade de montagem e entrega da infraestrutura.

O plano chamado “10×5” tem como objetivo levar a empresa a R$ 500 milhões em receita até 2030. A estratégia prevê ampliar a capacidade de oferta, aumentar a capilaridade e diversificar as soluções oferecidas ao mercado, com investimentos contínuos em servidores, private cloud, GPUs e infraestrutura física.

A empresa também prepara uma oferta de autosserviço para atender ao mercado que ainda utiliza parte dessa infraestrutura fora do Brasil. Outra frente é voltada ao segmento corporativo, com soluções para facilitar a migração de cargas de trabalho atualmente hospedadas em ambientes baseados em VMware ou em nuvens públicas para a private cloud da EVEO.

Para a companhia, o plano 10×5 representa não apenas uma meta de receita, mas uma estratégia de expansão da capacidade, do portfólio e da presença no mercado.

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