A falta de chuvas em Goiás desde abril de 2026 está gerando preocupações significativas para o milho safrinha, a segunda safra do cereal, que é crucial para a produção nacional. A escassez de umidade do solo já afeta o desenvolvimento das lavouras, especialmente em um período crítico para o enchimento de grãos.
Dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás indicam que, na primeira semana de maio, cerca de 54,2% das lavouras de milho estavam em fase de enchimento, exigindo alta disponibilidade de água. A irregularidade climática tem ampliado as incertezas sobre a produtividade, impactando diretamente o abastecimento interno e os preços do cereal.
Impacto no mercado e na economia
O milho safrinha é responsável por uma parte significativa da produção nacional, e qualquer perda devido ao clima pode afetar a oferta e os preços. Recentemente, os preços do milho caíram 4,2% em abril em comparação a março, influenciados tanto por fatores internacionais quanto domésticos.
O aumento da produção e dos estoques globais, conforme apontado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), contribuiu para essa pressão nos preços. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê estoques finais da safra 2025/26 em 12,8 milhões de toneladas, o que é superior à média das últimas cinco temporadas.
Crescimento do etanol de milho em Goiás
Apesar das dificuldades climáticas, a indústria de etanol de milho em Goiás tem mostrado um crescimento robusto. A produção do biocombustível saltou de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19 para 841,6 milhões de litros na temporada 2025/26, reforçando a importância da agroindústria na absorção do milho e sustentando a demanda interna.
Além do etanol, a produção de coprodutos para nutrição animal também tem avançado, promovendo uma integração entre agricultura, energia e pecuária. Essa diversificação é fundamental para equilibrar o mercado em um momento de incertezas climáticas.
Enquanto isso, as exportações de milho de Goiás enfrentaram uma retração no início de 2026, mas os produtos derivados do milho, como amido e farinha, apresentaram crescimento nas vendas externas. O aumento do número de países compradores, que chegou a 25, impulsionou esse avanço, demonstrando a resiliência do setor.
Com a colheita da segunda safra se aproximando, o mercado continuará a monitorar as condições climáticas em Goiás e nas demais regiões do Centro-Oeste. A combinação da pressão sobre os preços e o fortalecimento da indústria de etanol de milho traz perspectivas mistas, mas otimistas para o consumo interno e a economia regional.











