A falta de investimento em qualificação profissional ameaça a competitividade do agronegócio brasileiro na era da inteligência artificial. Especialistas apontam que, apesar da crescente demanda por profissionais capacitados, os recursos destinados à formação ainda são insuficientes para sustentar o crescimento e a inovação do setor.
De acordo com Diogo Luchiari, vice-presidente da Macfor, a transformação digital no campo exige novas competências. Ele destaca que a dependência de instituições externas para a formação de mão de obra técnica é um desafio estratégico que precisa ser enfrentado com urgência.
Investimentos em Capacitação Abaixo do Necessário
Um levantamento da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) revela que as empresas brasileiras investem, em média, R$ 1.199 por colaborador ao ano em capacitação. Em comparação, os Estados Unidos aplicam cerca de R$ 6.690, quase seis vezes mais, o que evidencia a disparidade na formação profissional.
Além disso, os trabalhadores brasileiros recebem, em média, 26 horas anuais de treinamento, enquanto nos Estados Unidos a média é de 21 horas. Essa diferença sugere que o problema não está apenas na quantidade de horas, mas também na qualidade dos programas de capacitação oferecidos.
Concorrência por Talentos no Agronegócio
A crescente concorrência por profissionais qualificados intensifica o desafio para o agronegócio. Uma pesquisa da FESA Group aponta que a qualificação profissional é uma das principais preocupações das áreas de recursos humanos nas grandes empresas do setor.
Hoje, profissionais com habilidades em agricultura digital, análise de dados e inteligência artificial estão entre os mais procurados. A demanda não se limita ao agronegócio, mas se estende a setores como fintechs e agtechs, aumentando a pressão sobre os salários e a retenção de talentos.
O Papel das Instituições na Formação Técnica
Instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e universidades públicas continuam a ser fundamentais na formação de profissionais para o campo. No entanto, especialistas afirmam que as empresas privadas devem assumir um papel mais ativo na capacitação de seus colaboradores.
Com o agronegócio brasileiro projetando movimentar cerca de R$ 3,79 trilhões em 2025, a qualificação profissional se torna um investimento estratégico. A capacidade de atrair e reter talentos especializados será crucial para manter a liderança do Brasil na produção de alimentos.
A modernização do campo, com o uso de tecnologias como inteligência artificial e biotecnologia, exige profissionais que saibam interpretar dados e operar sistemas complexos. A escassez dessa mão de obra qualificada pode se tornar um gargalo para o crescimento sustentável do setor nos próximos anos.











