
O discurso do Lula na ONU na teoria foi muito correto, com boas posições, mas a falta de liderança na sua região, que é América Latina, enfraquece a retórica. Não estava presente nenhuma nação importante no mundo na hora do discurso; ele foi ouvido apenas pelos convertidos. Certamente vai retornar ao assunto na reunião geral da ONU que vai abrir, como sempre faz o presidente brasileiro. Isso mostra que a importância do Brasil ou do Lula como líder mundial é muito relativa, depende do momento. E o momento não é bom para o Brasil, com as queimadas na Amazônia, por exemplo. O Brasil tem muita responsabilidade sobre isso, e tinha que estar mais preparado para este combate. Foi o maior incêndio já registrado nos últimos tempos, mas o país não montou estrutura de prevenção de incêndios e de combate às consequências da mudança climática. A autoridade climática, proposta de campanha de Lula no segundo turno, não aconteceu. Só agora o presidente se dispôs a discutir esta questão. O Brasil tem os caminhos certos, teoricamente, mas na prática não é um exemplo – e deveria ser – de país voltado para a energia alternativa e para o combate à poluição. Não se preparou, nem tem estrutura, nem legislativa, nem técnica, para levar adiante este combate. Tem que mudar e entender que a retorica não basta para transforma Brasil e Lula em líderes mundiais.