A família de um estudante de 13 anos procurou a Polícia Militar para denunciar agressões físicas e uma possível violência sexual contra o adolescente dentro da Escola Estadual Ângela Teixeira da Silva, em Uberlândia. O caso ainda é investigado.
O aluno está matriculado no 8º ano, tem deficiência intelectual e passa por investigação para autismo. A família registrou um boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso. Segundo as informações apresentadas, os fatos teriam ocorrido na sexta-feira (28) e começaram a ser apurados oficialmente após relatos da família, de estudantes e da direção da escola.
De acordo com o relato da mãe, o adolescente demorou mais do que o habitual no banheiro de casa depois de voltar da escola. Ao verificar a situação, ela teria encontrado sangue no papel higiênico. Inicialmente, o estudante teria dito que nada havia acontecido.
Nos dias seguintes, ainda segundo a denúncia, o adolescente apresentou mudanças de comportamento. No domingo (30), durante um corte de cabelo, teria reclamado de dor de cabeça. Uma profissional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que acompanha o estudante, também teria demonstrado preocupação com o comportamento e a dificuldade de socialização dele.
A mãe relatou que o filho passou a ficar nervoso e, ao voltar da escola, frequentemente queria se deitar antes mesmo de comer. A situação começou a ser esclarecida na terça-feira (1º), quando a direção questionou o estudante sobre a possibilidade de ele ter sofrido uma agressão dentro da instituição. Conforme o relato da família, o adolescente confirmou ter sido agredido na escola na sexta-feira anterior.
A direção também elaborou uma ata de ocorrência sobre o caso. O documento informa que a escola tomou conhecimento de uma briga após ser avisada por outro estudante que teria presenciado parte da situação.
Segundo a apuração inicial da instituição, seis alunos teriam se organizado nas proximidades de um banheiro e aguardado a chegada do adolescente. Ele teria sido cercado, intimidado e levado até o local. Relatos colhidos pela escola e imagens do sistema de segurança indicariam a ocorrência de agressões físicas. Conforme a ata, um chinelo e um capacete teriam sido usados durante a ação.
Os estudantes envolvidos alegaram que a agressão ocorreu após uma acusação de que o adolescente teria pegado R$ 10 de outro aluno. A direção informou que iniciou uma apuração interna e ouviu os envolvidos.
Durante as oitivas realizadas na quarta-feira (2) pela Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia, a família apresentou relatos mais graves. Segundo os responsáveis, o adolescente afirmou posteriormente que, além das agressões físicas, teria sido vítima de uma possível violência sexual. O relato indica que os abusos e as agressões teriam ocorrido antes do início das aulas, com a participação ou presença de outros estudantes.
Diante da suspeita de violência sexual e da identificação de sangue no papel higiênico, a família foi orientada pela escola a procurar atendimento médico especializado. Um documento médico obtido pela reportagem confirma que o adolescente passou por exames e teve material biológico coletado na terça-feira (1º). O resultado ainda não foi divulgado pelas autoridades.
A família também afirmou que o adolescente teria relatado episódios anteriores de agressão envolvendo os mesmos alunos. Segundo os responsáveis, ele não teria denunciado antes por medo de ameaças, inclusive de morte. O estudante também teria dito que os envolvidos possivelmente gravaram um vídeo durante uma das agressões.
Os responsáveis relataram ainda que o adolescente mencionou um grupo de mensagens entre estudantes no qual ocorreriam episódios de bullying e ofensas contra alunos, professores e o próprio estudante. Segundo a família, as mensagens já teriam sido comunicadas à direção da escola.
Em depoimento, uma irmã do adolescente, que não quis se identificar, afirmou que o irmão teria sido coagido pelos demais estudantes a cometer o roubo que teria motivado a briga. “Segundo o que ele relatou pra gente, esses mesmos infratores obrigaram ele a roubar dez reais de outro aluno e esses mesmos infratores bateram nele porque ele havia roubado”, disse.
Na ata de ocorrência, a escola registrou que o estudante voltou para a sala de aula após o horário do episódio e não apresentou reclamações de dor ou desconforto a professores e funcionários. O documento afirma também que, ao fim do período escolar, ele deixou a instituição aparentemente sem sinais visíveis de lesões graves.
A escola informou que abriu uma apuração imediata diante da gravidade das informações e notificou os responsáveis pelos estudantes envolvidos.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que acompanha o caso e determinou prioridade na assistência ao aluno por meio da Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia. O Núcleo de Acolhimento Educacional, formado por psicólogo e assistente social, também participa do atendimento ao estudante e à comunidade escolar.
A secretaria afirmou que, assim que tomou conhecimento da possível violência entre estudantes, a direção adotou as medidas cabíveis, ofereceu suporte ao aluno e acionou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar. A gestão da escola também se reuniu com os responsáveis pelos estudantes envolvidos.
A SEE/MG declarou que continuará acompanhando o caso, que também é conduzido pelo Conselho Tutelar e pelas autoridades competentes. A pasta afirmou repudiar e não tolerar atos de violência dentro ou fora do ambiente escolar e citou ações de prevenção, como rodas de conversa, escuta qualificada, oficinas e palestras para a comunidade.











