O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um apelo ao governo dos Estados Unidos, solicitando que não implemente um tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras. Em sua manifestação oficial ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ele argumenta que essa medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um ano eleitoral, ao invés de pressioná-lo.
No documento de 86 páginas, Flávio pede a suspensão das tarifas e sugere a abertura de negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ele acredita que, ao adiar a adoção das sanções, as duas nações poderiam encontrar uma solução mais eficaz sem encerrar a investigação em curso.
Impactos do tarifaço nas relações Brasil-EUA
O senador ressalta que o tarifaço beneficiaria o governo brasileiro que os Estados Unidos pretendem pressionar. Segundo ele, a medida poderia ser vista como uma recompensa pela estratégia do governo atual, que inclui a recusa em negociar e a provocação de retaliações.
Flávio também destaca que, desde o primeiro tarifaço anunciado em 2025, as pesquisas eleitorais mostraram um fortalecimento de Lula, contradizendo a intenção original das tarifas. Ele argumenta que a retórica política em torno das tarifas tem sido explorada por aliados de Lula para desgastar a oposição, o que pode ter impactos diretos nas próximas eleições brasileiras.
Além do aspecto político, o senador aponta que as tarifas não cumpririam o objetivo de eliminar práticas comerciais desleais, conforme estipulado pela legislação americana. Ele afirma que as sanções não atingiram os responsáveis pelas condutas investigadas e, portanto, não seriam uma solução eficaz.
Flávio também adverte que o tarifaço afetaria não apenas exportadores brasileiros, mas também importadores e consumidores americanos. Ele sugere que, se Washington considerar necessária uma punição, deveria optar por medidas direcionadas a indivíduos específicos, em vez de penalizar toda a economia brasileira.
Por fim, o senador pede que o USTR leve em conta o calendário eleitoral brasileiro antes de decidir sobre as sanções, argumentando que uma decisão precipitada poderia ser vista como uma tentativa de influenciar o processo eleitoral. Ele propõe que a implementação das tarifas seja suspensa por 180 dias, permitindo tempo para negociações.
A manifestação de Flávio foi protocolada no último dia do prazo estabelecido pelo USTR para contribuições antes da audiência pública marcada para 6 e 7 de julho. O governo Lula também apresentou sua defesa, argumentando que as tarifas prejudicariam empresas e consumidores dos Estados Unidos e dificultariam uma solução negociada.











