A onda de calor que atingiu a França entre 17 de junho e 2 de julho de 2026 resultou em 5.764 mortes a mais do que o esperado, conforme revelado pela agência de Saúde Pública da França. Este número alarmante é o mais elevado desde a devastadora onda de calor de 2003, que causou cerca de 15 mil mortes no país.
Metade das mortes registradas ocorreu em apenas três dias, entre 25 e 27 de junho. Embora a maioria das vítimas fosse de pessoas com 75 anos ou mais, o aumento da mortalidade afetou também faixas etárias mais jovens, indicando um impacto mais amplo do fenômeno climático.
Impactos na Saúde Pública e Debate Político
O aumento da mortalidade foi observado em todos os grupos etários a partir dos 15 anos, com um crescimento acentuado entre aqueles com 45 anos ou mais. Esse cenário inédito gerou um intenso debate político na França, com críticas ao governo sobre a falta de preparação para os efeitos das mudanças climáticas.
O governo francês, por sua vez, tem se esforçado para minimizar comparações com a onda de calor de 2003, destacando que a atual onda foi mais curta, durando 16 dias, em comparação com três semanas em 2003. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de cautela ao comparar os dois eventos, dada a evolução dos sistemas de saúde e o envelhecimento da população.
A recente onda de calor não afetou apenas a França; a Alemanha também registrou 5.655 mortes em excesso durante o mesmo período. A Europa Ocidental enfrentou o mês de junho mais quente já registrado, o que levanta preocupações sobre a frequência e a intensidade de tais eventos climáticos no futuro.
Na região de Paris, a mortalidade duplicou em relação aos níveis habituais, com 1.999 óbitos. As mortes ocorreram em diversos tipos de estabelecimentos, incluindo hospitais e lares de idosos, mas principalmente em domicílios, refletindo a vulnerabilidade da população durante períodos de calor extremo.
Especialistas alertam que a exposição repetida a ondas de calor pode causar um desgaste progressivo no organismo, afetando especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Embora os dias de calor extremo representem apenas uma pequena fração do verão, eles são responsáveis por uma parte significativa das mortes atribuídas ao calor.











