O frete rodoviário no Brasil teve um aumento significativo em abril, refletindo o aquecimento da logística nacional durante o pico de escoamento da safra agrícola. O valor médio do transporte de cargas atingiu R$ 0,431 por tonelada por quilômetro rodado, um avanço de 6,93% em relação ao mês anterior. Esse aumento anual chega a 16,8%, evidenciando a pressão sobre o transporte rodoviário em meio à alta demanda do agronegócio e ao encarecimento dos combustíveis.
Os dados foram divulgados pelo Índice Frete.com de Preços (IFP), que reúne informações de cerca de 25 mil empresas e mais de 900 mil motoristas cadastrados no Brasil. O forte ritmo de escoamento da safra, especialmente de soja e milho, é o principal fator por trás da valorização do frete, aumentando a competição por caminhões disponíveis e elevando os preços em diversas regiões.
Impactos do cenário internacional
A volatilidade no mercado global de energia e os conflitos geopolíticos também têm influência direta nos custos operacionais do setor. Com os combustíveis em níveis elevados, a pressão sobre os fretes se intensifica. Charles Monteux, CRO da Frete.com, destaca que o agronegócio continua sendo o principal vetor de demanda logística no país, especialmente em rotas de longa distância e corredores estratégicos de exportação.
Entre as regiões brasileiras, o Sudeste lidera o ranking dos fretes mais caros, com um custo médio de R$ 0,472 por tonelada/km rodado. Os dados regionais mostram que o Sul segue com R$ 0,417, o Nordeste com R$ 0,368, o Centro-Oeste com R$ 0,322 e o Norte com R$ 0,310. O desempenho do Sudeste é impulsionado pela elevada concentração industrial e pela intensa movimentação nos portos e centros de distribuição.
Os caminhões baú registraram os maiores preços em abril, com um valor médio de R$ 0,677 por tonelada/km rodado. Os segmentos ligados diretamente ao agronegócio também apresentaram forte valorização no acumulado do ano, com graneleiros subindo 12,5% e caçambas avançando 16,3%. Esses números refletem a importância do agronegócio na dinâmica logística brasileira.
Com a continuidade do ritmo intenso das exportações agrícolas e a pressão sobre combustíveis e infraestrutura, os custos de transporte devem permanecer elevados. Para os produtores rurais, isso pode significar um impacto direto na rentabilidade, enquanto os consumidores podem enfrentar preços mais altos nos produtos finais devido ao aumento nos custos logísticos.











