Governo de Biden, nos EUA, abre investigação sobre estratégia da China para dominar indústria global de chips

O governo americano anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação comercial sobre supostas medidas “anticompetitivas e não comerciais” usadas pela China para apoiar sua indústria de semicondutores.

A medida acontece cerca de um mês antes de o presidente Joe Biden entregar o comando dos Estados Unidos ao eleito Donald Trump, que tem uma forte retórica contra a China em sua plataforma política. Pequim reagiu chamando a investigação de “protecionista”.

Segundo a agência Reuters, a iniciativa pode resultar em mais tarifas dos EUA sobre chips chineses que alimentam a fabricação de produtos do dia a dia, como automóveis, máquinas de lavar e equipamentos de telecomunicações.

Essenciais para a indústria de eletrônicos, os semicondutores se tornaram componentes industriais decisivos para uma série de indústrias em todo o mundo. Na pandemia, a falta deles provocou atrasos na produção de vários produtos, de automóveis a eletrodomésticos.

Chance para Trump retomar guerra comercial

O esforço de Biden no apagar das luzes de seu governo pode dar a Trump uma oportunidade para começar a impor algumas das pesadas tarifas de 60% que ele ameaçou sobre as importações chinesas. Autoridades do governo Biden informaram que a conclusão da investigação ficará a cargo da administração do republicano.

Na reta final de mandato, Biden já impôs uma tarifa de 50% sobre semicondutores chineses, prevista para entrar em vigor no dia 1º de janeiro. O governo também endureceu as restrições à exportação de chips avançados de inteligência artificial, chips de memória e equipamentos de fabricação de chips para a China.

Pequim reagiu em um comunicado do seu Ministério do Comércio, no qual diz que a “investigação americana tem evidentes tons unilaterais e protecionistas”. O texto pede a Washington que cesse imediatamente suas “más práticas”, informou a AFP.

Dois terços dos produtos nos EUA têm chip chinês

A Representante Comercial dos EUA, Katherine Tai, afirmou que a agência encontrou evidências de que Pequim está mirando a indústria de semicondutores para dominá-la globalmente, de maneira semelhante ao que fez com aço, alumínio, painéis solares, veículos elétricos e minerais críticos.

“Isso está permitindo que suas empresas expandam rapidamente a capacidade e ofereçam chips artificialmente mais baratos, que ameaçam prejudicar significativamente e potencialmente eliminar a concorrência orientada pelo mercado”, disse ela em coletiva de imprensa.

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Informações da secretaria de Comércio dos EUA dão conta de que dois terços dos produtos do país usam chips com semicondutores chineses, e que metade das empresas americanas desconheciam a origem de seus chips, incluindo algumas do setor de defesa, o que o governo classifica como “alarmante”.

Em comunicado, a Casa Branca afirmou que a medida serve para “proteger trabalhadores e empresas americanas contra práticas comerciais desleais da China.

“A República Popular da China (RPC) frequentemente adota políticas e práticas não baseadas no mercado, bem como estratégias de direcionamento industrial no setor de semicondutores, permitindo que empresas chinesas prejudiquem significativamente a concorrência e criem dependências perigosas na cadeia de suprimentos de semicondutores fundamentais”, diz o texto.

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A partir de 6 de janeiro o governo americano vai aceitar comentários públicos sobre a investigação, e uma audiência pública está prevista para os dias 11 e 12 de março.

A investigação está sendo conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mesmo estatuto de práticas comerciais desleais que Trump invocou para impor tarifas de até 25% sobre cerca de US$ 370 bilhões em importações chinesas em 2018 e 2019, desencadeando uma guerra comercial de quase três anos com Pequim.

Se Trump assumir a investigação, ela precisa ser concluída dentro de um ano após sua iniciação.

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