O governo federal refutou a ideia de que a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), seja uma “armadilha” criada pela bancada do PL na Câmara dos Deputados. A expectativa é que a votação da PEC ocorra entre os dias 27 e 28 de maio, após passar pela comissão especial.
A proposta de Hilton visa substituir a escala 6×1 pela 4×3, garantindo três dias de folga para os trabalhadores. No entanto, o texto em discussão sugere uma escala 5×2, com dois dias de descanso. A mudança de postura do PL, que antes se opunha à redução da jornada, gerou um impasse para o governo, que precisa decidir se apoia uma proposta mais benéfica ao trabalhador.
Desdobramentos e Reação do Governo
O governo acredita que a movimentação do PL tem como objetivo atrasar ou sabotar a votação da PEC. Lideranças do PT orientaram seus membros a não se deixarem levar pela estratégia do PL, que busca forçar uma oposição a um texto que já está consolidado, relatado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA).
O acordo com o Centrão, liderado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê uma transição de um ano para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. A proposta será implementada em duas etapas, com uma redução inicial de duas horas após a promulgação da PEC e uma nova queda após 12 meses.
Apesar das discussões, parte da bancada governista sugere que o governo se una ao PL em apoio à escala 4×3, o que poderia inverter o desgaste político. No entanto, a maioria no PT acredita que essa estratégia poderia abrir espaço para obstruções e comprometer o acordo já estabelecido.
Nos bastidores, há confiança de que Hugo Motta não permitirá que a proposta do PL avance. A avaliação é de que a proposta relatada por Prates já está madura o suficiente para ser aprovada, enquanto a escala 4×3 enfrentaria resistência significativa de setores empresariais e partidos de centro e direita.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que o partido apresentará um destaque para priorizar a votação da proposta de Erika Hilton, defendendo a liberdade de escolha do trabalhador. Em resposta, o líder do PT, Pedro Uczai (SC), criticou a mudança de postura do PL, acusando a oposição de tentar atrasar a tramitação da PEC.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também se manifestou contra a iniciativa do PL, considerando-a uma tentativa de criar uma narrativa em torno do tema. Ele destacou que a oposição está utilizando táticas já conhecidas para dificultar a aprovação de propostas com forte apelo popular.











