As tensões no Oriente Médio estão gerando preocupações significativas para o agronegócio brasileiro. Um estudo recente do Rabobank alerta que a continuidade do conflito na região, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, pode elevar os custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil durante 2026 e 2027.
A análise aponta que o aumento nos preços do petróleo e do gás natural, decorrente do choque nos mercados de energia, impacta diretamente a cadeia produtiva agrícola. Isso inclui desde combustíveis até fertilizantes, afetando o transporte e a logística agrícola, essenciais para a distribuição de alimentos.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a alta nos preços das commodities energéticas tem um efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, utilizado nas operações agrícolas, deve sofrer um aumento significativo, elevando os custos desde o plantio até a entrega dos produtos ao consumidor final.
Além disso, a produção de fertilizantes, que depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo, também enfrentará aumento nos custos. Isso pode impactar diversas culturas, levando os produtores a repassarem esses gastos aos preços finais dos alimentos.
Projeções indicam que o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deve ter um aumento de 41,6% até o final de 2026, refletindo a disparada dos preços energéticos após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
Os alimentos in natura, como frutas e hortaliças, são os mais suscetíveis aos impactos do aumento de custos. A expectativa é que a inflação desse grupo chegue a 9,6% ao final de 2026, podendo ultrapassar 10% em 2027, devido à rápida reação dos preços ao aumento dos custos de transporte e insumos agrícolas.
Embora os alimentos semielaborados e industrializados apresentem um repasse mais gradual dos custos, a pressão sobre toda a cadeia alimentícia é inevitável. A inflação de alimentação no domicílio, após uma desaceleração no início de 2026, deve voltar a acelerar, encerrando o ano em torno de 6,1%.
O cenário atual exige que o agronegócio brasileiro monitore atentamente os mercados internacionais. A posição estratégica do Oriente Médio no abastecimento global de petróleo e fertilizantes torna a situação ainda mais crítica, com potenciais interrupções que podem afetar a competitividade do setor.











