A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga a morte de Geilson Santos, de 46 anos, encontrado enterrado em uma área de mata no Shopping Park, em Uberlândia, na madrugada desta quinta-feira (10). A principal linha de investigação é de que ele tenha sido sequestrado, levado para um cativeiro e torturado por várias horas antes de ser morto.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Carlos Fernandes, Geilson foi retirado do Shopping Park e levado para um imóvel no bairro Dom Almir. Ele teria permanecido no local por aproximadamente sete horas, durante interrogatórios e ligações com integrantes de uma facção criminosa.
“A vítima foi levada para o bairro Dom Almir e ficou por 7 horas em ligações com integrantes da facção criminosa. No final ele foi torturado e morto. Depois, utilizaram um veículo para levar o corpo até uma área de mata”, afirmou o delegado.
Conforme os relatos reunidos pela PCMG, os envolvidos questionaram Geilson sobre o que havia acontecido e tentaram conferir as informações apresentadas por ele antes de decidir pela execução. “Geralmente eles ligam para a vítima (do abuso sexual) para colher informações e no final se utilizam da tortura para mostrar poder”, disse Carlos Fernandes.
O caso é tratado pela polícia como um possível “tribunal do crime”, prática atribuída a organizações criminosas que submetem pessoas a interrogatórios e julgamentos clandestinos, com possibilidade de determinar agressões ou execuções.
A investigação começou na quarta-feira (09), após a polícia receber informações de que um vídeo de uma execução estaria circulando no Shopping Park. Equipes foram até o bairro, ouviram moradores e testemunhas e localizaram uma mulher que conhecia a vítima. O depoimento dela ajudou os investigadores a reconstruir parte da sequência dos acontecimentos.
A principal hipótese é de que o crime tenha começado depois que uma mulher relatou ter sido vítima de uma relação sexual sem consentimento envolvendo Geilson. O relato teria chegado aos integrantes da facção e desencadeado o sequestro e as agressões.
A investigação aponta que a mulher chegou a ser ouvida na delegacia antes do crime, mas não registrou boletim de ocorrência sobre o episódio que teria motivado a ação dos suspeitos.
Após as agressões, Geilson teria sido executado. Os suspeitos usaram um veículo para transportar o corpo, cavaram uma cova, enterraram a vítima e jogaram cal sobre o cadáver, numa tentativa de ocultá-lo.
De acordo com o delegado Carlos Fernandes, a PCMG já identificou dois homens que teriam participado da tortura, da morte e da ocultação do cadáver. Até o momento, ninguém foi preso.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a dinâmica do crime e determinar a participação de cada suspeito no sequestro, nas agressões, na execução e na ocultação do corpo. A polícia também busca novas testemunhas e informações sobre as horas que antecederam a morte de Geilson.











