A possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos químicos brasileiros exportados para os Estados Unidos gera grande preocupação na indústria química nacional. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) solicitou ao governo norte-americano a exclusão do setor dessa medida, argumentando que isso poderá impactar negativamente tanto as empresas brasileiras quanto os consumidores e indústrias dos Estados Unidos.
O pedido foi formalmente enviado ao Office of the United States Trade Representative (USTR), que é responsável pela política comercial americana. A Abiquim destaca que a imposição dessa tarifa pode elevar os custos das cadeias produtivas nos EUA, uma vez que muitos produtos químicos brasileiros são essenciais para diversos setores industriais.
Impactos na Cadeia Produtiva e no Consumidor
Entre os setores que dependem dos insumos químicos brasileiros estão a agricultura, construção civil, embalagens, higiene e limpeza, saúde e a indústria automotiva. A Abiquim alerta que a tarifa poderá pressionar os preços ao consumidor final e reduzir a competitividade das empresas americanas que utilizam matérias-primas importadas do Brasil.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é caracterizada por uma forte integração produtiva. Em 2025, os EUA exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil, enquanto as exportações brasileiras para o país somaram aproximadamente US$ 2,1 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 9,4 bilhões para os Estados Unidos.
Outro ponto importante levantado pela Abiquim é que a restrição ao acesso dos produtos brasileiros pode favorecer fornecedores da Ásia. A entidade aponta que, em 91,8% dos produtos que podem ser afetados pela tarifa, a China já é uma fornecedora no mercado norte-americano. Isso pode fortalecer a concorrência internacional em detrimento da relação comercial existente entre Brasil e EUA.
A Abiquim também solicita a exclusão do setor de uma investigação paralela relacionada a alegações de trabalho forçado, defendendo a adoção de exceções para produtos considerados estratégicos. A associação propõe que, em vez de novas barreiras comerciais, haja um fortalecimento da cooperação econômica entre os dois países.
O mercado acompanha atentamente a decisão dos Estados Unidos, já que o país é um dos principais destinos dos produtos químicos brasileiros. A definição do governo americano poderá influenciar não apenas o fluxo comercial, mas também a competitividade da indústria química e petroquímica brasileira nos próximos anos.











