Durante muito tempo, brasileiros interessados em começar uma vida fora do país recorriam principalmente a parentes, amigos ou conhecidos que já haviam emigrado. Com as redes sociais, esse fluxo mudou. Atualmente, temas como trabalho, custo de vida, adaptação cultural, negócios e rotina no exterior são acompanhados diariamente por pessoas que, muitas vezes, nunca tiveram contato pessoal com os criadores de conteúdo.
“Quem pensa em morar fora quer entender como aquela vida foi construída”, afirma Dan Cunha, influenciador imigrante.
A transformação também passou a ser analisada pela academia. Em 2022, um estudo publicado na revista científica Media and Communication utilizou a expressão “immigrant influencers”, ou influenciadores imigrantes, para estudar criadores latino-americanos que viviam nos Estados Unidos e na Espanha.
Nesses perfis, a experiência de morar fora deixa de ser apenas um relato pessoal e passa a servir como referência sobre trabalho, cultura, adaptação e construção de uma nova vida.
Empresário brasileiro radicado nos Estados Unidos, Dan Cunha é influenciador imigrante e ex-participante do Immigrant Reality, reality show realizado em maio deste ano, na Flórida. Para ele, essa é a principal força desse tipo de influência.
“Muita gente não quer apenas ver alguém morando fora. Quer entender como aquela pessoa construiu a própria vida em outro país. A experiência ganha valor quando existe uma história por trás da imagem que está sendo mostrada”, afirma.
Nas redes sociais, a curiosidade sobre a vida no exterior criou uma linguagem própria. Salários, aluguel, primeiro emprego, supermercado, diferenças culturais e rotina de trabalho passaram a dividir espaço com moda, viagens, fitness e finanças entre os assuntos consumidos diariamente.
O interesse também é impulsionado pelo número de brasileiros que vivem fora do país. O Ministério das Relações Exteriores estima que cerca de 4,9 milhões de brasileiros estejam no exterior. Esse público acompanha não apenas como é morar em outro país, mas também o caminho entre a decisão de partir e a construção de uma nova vida.
Para Cunha, o crescimento desse tipo de influência aumenta a responsabilidade de quem transforma a própria trajetória em referência.
“Mostrar que alguém conseguiu é fácil. O que quase nunca aparece é quanto tempo levou, o que deu errado, os trabalhos que precisaram ser feitos e quantas vezes foi necessário mudar de caminho. Se a nossa história vai servir de referência para alguém, essa parte também precisa ser mostrada”, conclui.











