Jovens de comunidades vulneráveis se reúnem neste sábado (6) na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, para discutir o direito à água. O encontro, promovido pela organização Águas Resilientes, visa elaborar a Declaração das Juventudes, que será apresentada na Conferência de Águas da ONU, marcada para dezembro nos Emirados Árabes Unidos.
A proposta do evento é reunir vozes de jovens que enfrentam desafios relacionados ao acesso à água e saneamento. Durante o dia, os participantes participarão de painéis que abordam a resiliência climática e a importância da governança da água.
Desafios do saneamento no Brasil
A especialista em planejamento urbano, Andrea Pulici, destacou a necessidade de investimentos significativos para a universalização do saneamento no Brasil até 2033. Segundo ela, são necessários cerca de R$ 114 bilhões por ano para garantir que 99% da população tenha acesso à água tratada.
Atualmente, 84,1% da população brasileira conta com abastecimento de água, mas apenas 62,3% têm acesso à coleta de esgoto. A falta de infraestrutura adequada é um obstáculo à cidadania, conforme apontou Pulici, que questionou o custo de não agir.
Água como questão de dignidade
A ativista Johari Silva, da Ação da Cidadania, enfatizou que o acesso à água está diretamente ligado à dignidade humana. Ela defende que a discussão sobre água deve incluir as vozes de comunidades tradicionais e grupos marginalizados.
Johari também ressaltou a importância de capacitar jovens para que possam participar das decisões que afetam suas vidas. A inclusão desses jovens no debate é fundamental para a construção de um futuro mais justo.
Expectativas para a Conferência da ONU
A diretora de Planejamento da Águas Resilientes, Verena Meirelles, acredita que a Declaração das Juventudes pode ser um passo importante para a inclusão do Brasil no debate global sobre água. Ela ressaltou a urgência de abordar essa pauta e a necessidade de ação imediata.
O fundador da organização, Erleyvaldo Bispo, destacou que cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a uma fonte segura de água. Ele enfatizou a importância de dar visibilidade a essa questão em fóruns internacionais.
O evento deste sábado é um marco para a participação jovem nas discussões sobre água e meio ambiente, com o potencial de influenciar políticas públicas e promover mudanças significativas nas comunidades.











