Um levantamento do Observatório Lupa identificou pelo menos 37 conteúdos gerados com inteligência artificial (IA) publicados em contas oficiais de candidatos nas redes sociais. Em nenhum deles havia indicação de que o material havia passado por manipulação digital.
O estudo analisou 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem. O uso de IA foi constatado em 282 casos. A maioria era composta por deepfakes, peças artificiais criadas para simular a aparência, a voz ou a identidade de pessoas reais.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi a principal vítima dos conteúdos falsos produzidos com IA, aparecendo em 115 casos. Flávio Bolsonaro (PL) foi citado em 56 conteúdos.
O Facebook concentrou o maior número de registros de conteúdo enganoso, com 202 ocorrências. O Instagram apareceu em seguida, com 62.
“O que chama atenção nesses 37 casos é que não são conteúdos publicados por contas anônimas. São publicações feitas pelas contas oficiais de candidatos e partidos, que têm a obrigação de informar ao eleitor quando utilizam inteligência artificial”, afirmou Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação e fundadora da Agência Lupa.
Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou restrições ao uso de IA nas eleições. As regras abrangem modificações em imagens e vozes de candidatos ou pessoas públicas. A Corte também reafirmou que provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça caso não removam perfis falsos e publicações ilegais de seus usuários.











